
Nesta quinta-feira (19/03), o Brasil celebra o Dia do Artesão, data que homenageia os profissionais que, com criatividade e dedicação, transformam saberes tradicionais em arte. No Amazonas, o artesanato se destaca por incorporar elementos da rica floresta e das tradições dos povos originários, representando a memória, a identidade e a cultura local.
Artesanato como expressão da Amazônia
Peças como biojoias, grafismos e artefatos feitos com sementes e fibras naturais são a expressão máxima da relação intrínseca entre o povo amazônico e a natureza. Essa tradição, passada através de gerações, mantém viva a ancestralidade da região.
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, reforça a importância de reconhecer e valorizar esses artistas que preservam a cultura amazônica.
Histórias de vida e sustento
Richardson Pinedo, artesão de Tabatinga, exemplifica essa força. Iniciou no artesanato por admiração e curiosidade, buscando aperfeiçoamento em cursos. Hoje, trabalha com miçangas e biojoias, inspirando-se na fauna, flora e elementos do cotidiano amazônico.
“Eu sempre tento trazer coisas que remetem à nossa Amazônia. Trabalho com figuras de animais, como arara e onça, e também com elementos como o açaí e outras frutas da nossa região”, explica Richardson.
O valor do processo artesanal
O processo de criação exige planejamento e técnica, desde o desenho inicial até a seleção e preparação dos materiais. Cada peça conta uma história e exige dedicação.
Richardson ressalta que o valor do artesanato vai além da peça final. “Não é só a peça pronta. Existe todo um trabalho por trás: colher o material, preparar, lixar, pintar. Muitas famílias dependem disso, principalmente comunidades indígenas. O artesanato sustenta casas, famílias inteiras”, afirma.
Transformação social e econômica
Para muitos, o artesanato deixou de ser um hobby para se tornar a principal fonte de renda, promovendo sustentabilidade e apoio a famílias e comunidades.
É fundamental conscientizar o público sobre o significado por trás de cada peça, especialmente os grafismos indígenas, que carregam histórias ancestrais. “Cada grafismo tem uma história. Por isso é importante mostrar o trabalho, contar o que está por trás”, destaca o artesão.
Compartilhando conhecimento e valorizando o trabalho
O objetivo de Richardson é dar visibilidade a outros artesãos e compartilhar seu conhecimento, especialmente com aqueles que não têm acesso a cursos formais, como membros de comunidades indígenas.
Ele incentiva novos artesãos a terem orgulho de seu trabalho: “Não tenham vergonha. É um trabalho digno, é uma terapia e também uma forma de sustento. Mostrem o trabalho de vocês, tenham orgulho. Quando a gente valoriza o nosso trabalho, a gente valoriza o trabalho de todos”, conclui.
Com informações da Agência Amazonas





