Parlamentares democratas dos Estados Unidos expressaram indignação e acusaram o governo do presidente Donald Trump de enganar o Congresso sobre as intenções de uma ofensiva militar contra a Venezuela. Segundo relatos, autoridades americanas teriam negado planos de invasão terrestre ou de mudança de regime em reuniões informativas realizadas nos meses de novembro e dezembro, antes da intervenção que resultou na deposição do presidente Nicolás Maduro.
Contradições e desinformação
A senadora Jeanne Shaheen, membro influente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, afirmou que a administração Trump apresentou “três explicações diferentes e contraditórias” para justificar a escalada da ação militar. Para Shaheen, essa postura configura uma tentativa deliberada de ludibriar tanto o Congresso quanto a opinião pública americana. Ela destacou a falta de clareza sobre como o governo pretende mitigar os riscos para os Estados Unidos e qual seria a estratégia de longo prazo após a intervenção.
Outros congressistas democratas ecoaram o sentimento de terem sido levados ao erro. O deputado Don Beyer, em uma publicação na rede social X, declarou que “o governo mentiu para o Congresso e lançou uma guerra ilegal para promover uma mudança de regime e controlar o petróleo”. A intervenção, considerada a mais direta de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, gerou fortes questionamentos sobre a transparência e a legalidade das ações americanas.
Justificativas e desconfiança
Em coletiva de imprensa, o próprio presidente Trump tentou justificar a falta de comunicação prévia com o Congresso, alegando receio de vazamentos. “O Congresso tem uma tendência a vazar”, declarou o presidente. No entanto, mesmo antes da ofensiva, parlamentares, incluindo alguns republicanos alinhados a Trump, já cobravam maior transparência sobre a estratégia americana para a Venezuela, um país com vastas reservas de petróleo. A desconfiança aumentou com o reforço militar dos EUA no sul do Caribe e a ordem para ataques a embarcações supostamente envolvidas em tráfico de drogas.
Procurados para comentar as acusações, o Pentágono, o Departamento de Estado e a Casa Branca não emitiram resposta imediata. A situação na Venezuela, após a intervenção americana, continua a gerar repercussão internacional, com diversos países expressando apoio ou crítica à ação de Washington.





