
Uma reunião de alto nível entre Coreia do Sul e Rússia, mantida em sigilo, reflete a delicada relação que envolve o programa nuclear norte-coreano e as tentativas internacionais de retomar o diálogo com Pyongyang. Segundo a agência Yonhap, um funcionário sul-coreano do Ministério das Relações Exteriores, responsável por assuntos relativos à Coreia do Norte, viajou a Moscou para encontros com Oleg Burmistrov, atual embaixador especial russo para a segurança nacional da região oriental, setor que abrange a questão nuclear da península. A delegação sul-coreana também teria pedido à Rússia apoio para reabrir conversações com Kim Jong-un em 2026.
O encontro, que não teve divulgação oficial por parte de nenhum dos dois governos, também envolveu discussões sobre temas de segurança regional de interesse comum. A agência apontou apenas que não detalhou quais seriam esses tópicos adicionais.
Contexto regional e o papel de Moscou na crise norte-coreana
Nos últimos anos, as relações entre Moscou e Pyongyang ganharam espaço, em parte motivadas pela guerra na Ucrânia. Muros de desconfiança entre Occidente e as potências regionais não impediram que a Rússia ampliasse laços com a Coreia do Norte, inclusive em áreas de tecnologia e defesa. Para Seul, esse redesenho regional abre espaço para que a Rússia possa influenciar Kim Jong-un de forma útil à estabilização da península, ou, ao menos, evitar turbulências que prejudicariam a segurança do entorno.
Detalhes da reunião e possíveis impactos
A programação exata do encontro não foi tornada pública, e os detalhes dos tópicos discutidos permanecem classificados até o momento. O que fica claro é a aposta sul-coreana em que a Rússia tem algum peso sobre Pyongyang e pode facilitar a retomada de um canal de diálogo com o regime norte-coreano, uma vez que a liderança russa tem interesse em manter a estabilidade regional e evitar um novo ciclo de tensão na Península Coreana.
O que ainda falta esclarecer
Não há confirmação de desdobramentos imediatos. Não se sabe se as conversas avançarão para agenda formal com Pyongyang, nem quais compromissos — se existirem — teriam sido colocados na mesa. A situação deixa em aberto a possibilidade de que o encontro seja apenas uma etapa de uma estratégia mais ampla de Seul para reativar o diálogo com o Norte, com a Rússia atuando como mediador ou facilitador.
Implicações estratégicas para a Península
O movimento revela uma tentativa de redes diplomáticas com atores regionais para moldar uma via de aproximação em torno de um tema sensível. Caso haja evolução real, as autoridades sul-coreanas sinalizam o interesse de 2026 como marco para retomar negociações, buscando um canal estável com Pyongyang que possa acompanhar a evolução do arsenal nuclear norte-coreano e a conjuntura regional.



