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Contas Externas do Brasil Fecham 2025 com Déficit de US$ 68,8 Bilhões, Menor que o Previsto


As contas externas do Brasil registraram um saldo negativo de US$ 68,8 bilhões em 2025, um resultado que, embora deficitário, foi parcialmente mitigado por melhorias em outros setores da balança de pagamentos. A performance foi influenciada positivamente pela expansão dos superávits em alguns itens e pela redução de déficits em outros, culminando no menor resultado para meses de dezembro desde 2015.


Balança Comercial e Serviços Apresentam Desempenho Positivo

A balança comercial brasileira fechou o ano de 2025 com um superávit de US$ 59,952 bilhões, apesar de uma ligeira retração de 8,9% em comparação com o ano anterior. As exportações de bens alcançaram US$ 350,899 bilhões, um crescimento de 3,2%, enquanto as importações totalizaram US$ 290,947 bilhões, com alta de 6,2%. Paralelamente, o déficit na conta de serviços registrou uma queda de 4,1%, somando US$ 52,940 bilhões. Essa redução foi impulsionada, em parte, pela nova legislação que obriga casas de apostas online a se tornarem empresas residentes, excluindo suas transações do balanço de pagamentos do setor externo, e por um aumento de US$ 1,1 bilhão nas receitas líquidas de serviços financeiros. No entanto, houve um aumento nas despesas com serviços de propriedade intelectual e telecomunicações, reflexo do uso de plataformas digitais.


A conta de viagens internacionais, por outro lado, viu seu déficit aumentar, totalizando US$ 13,850 bilhões. Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil atingiram um recorde histórico, mas as despesas de brasileiros no exterior superaram as receitas geradas por visitantes internacionais.

Déficit em Renda Primária Persiste, Renda Secundária Melhora

O déficit em renda primária, que abrange pagamentos de juros, lucros e dividendos de empresas, manteve-se estável em US$ 81,347 bilhões, o mesmo patamar de 2024. Essa conta é tradicionalmente deficitária devido ao maior volume de investimentos estrangeiros no país, cujos lucros são remetidos para fora. Em contrapartida, a conta de renda secundária, que inclui doações e remessas sem contrapartida de bens ou serviços, apresentou um superávit de US$ 5,543 bilhões, uma melhora em relação ao ano anterior.

Investimentos Diretos e em Carteira Financiando o Déficit

O fluxo de recursos para cobrir o déficit nas transações correntes veio, em grande parte, de investimentos externos. Os Investimentos Diretos no País (IDP) cresceram 4,8% em 2025, totalizando US$ 77,676 bilhões, sendo a principal e mais benéfica forma de financiamento por ser direcionado ao setor produtivo e de longo prazo. Adicionalmente, os investimentos em títulos de renda fixa também contribuíram significativamente, com entrada líquida de US$ 15,284 bilhões no mercado doméstico, apesar de uma saída líquida em ações e fundos de investimento.

As reservas internacionais do país encerraram 2025 em US$ 358,234 bilhões, um aumento considerável em relação aos US$ 329,730 bilhões registrados no final de 2024. Com informações da Agência Brasil.