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Como Putin mantém o apoio dos bilionários russos: táticas, sanções e a economia de guerra

Desde o início da invasão à Ucrânia, o Kremlin redesenhou a relação com a elite econômica do país, transformando riqueza privada em suporte político para o esforço de guerra. Em vez de confrontar os bilionários, o governo buscou manter próximos os principais players, oferecendo recompensas por alinhamento e aplicando punições contra dissidência. O resultado foi uma aliança pragmática que manteve parte do capital privado na órbita do poder, mesmo diante de sanções ocidentais e volatilidade cambial.


Contexto histórico: da ascensão dos oligarcas ao pacto de lealdade

Historicamente, a trajetória dos oligarcas pós-Soviéticos ajudou a moldar um novo tipo de influência econômica. Com o uso de controles de ativos, privilégios regulatórios e, em alguns casos, medidas punitivas, o poder consolidou um patamar de lealdade entre empresários e o aparato estatal. Quando Putin consolidou seu governo, esse pacto se tornou mais explícito: apoio financeiro ao esforço de guerra em troca de estabilidade econômica, e proteção a ativos estratégicos.


Mecanismos de controle: sanções, nacionalizações e recompensas

A estratégia combina sanções econômicas que afetam fortunas individuais com a possibilidade de retorno político: ativos congelados, risco de nacionalizações e negociações rápidas para venda de ativos a preços atrativos para aliados, o que facilita a consolidação de uma elite alinhada com o Kremlin.

Casos emblemáticos e lições para a oligarquia

Entre episódios públicos, o caso envolvendo Oleg Tinkov ilustra o mecanismo: após criticar a guerra, executivos do grupo ligado ao bilionário foram pressionados pelo Kremlin; posteriormente, uma empresa associada a um grande empresário russo comprou o banco por uma fração do valor de mercado, e o investidor acabou deixando a Rússia e perdendo parte significativa de sua fortuna. Casos históricos como a trajetória de Mikhail Khodorkovsky também mostram como o Estado utiliza instrumentos legais para reduzir o poder de rivais e reforçar o controle sobre recursos estratégicos, mesmo frente a pressões internacionais.

Impacto econômico e o futuro da elite russa

Apesar das sanções, a narrativa aponta que a economia de guerra criou ganhos para parte da elite. Relatos apontam que gastos militares contribuíram para o crescimento econômico em 2023 e 2024, e muitos bilionários se beneficiaram, direta ou indiretamente, do conflito. Segundo a Forbes, em 2022 o número de bilionários na Rússia caiu de 117 para 83, com perdas de cerca de US$ 263 bilhões. Em 2024, o país registrou 140 bilionários, com patrimônio agregado em torno de US$ 580 bilhões; mais da metade desses bilionários teria algum envolvimento no abastecimento militar ou no aparato do Kremlin, conforme aponta Giacomo Tognini.