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CNI acompanha com atenção decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas de importação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta sexta-feira (20) que acompanha com “atenção e cautela” os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas sobre produtos importados, impostas globalmente pelo ex-presidente Donald Trump. Segundo a entidade, a suspensão de sobretaxas de 10% e 40% sobre produtos brasileiros poderia gerar um impacto de US$ 21,6 bilhões nas exportações para os EUA.


Impacto no comércio brasileiro

“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI.


A decisão da Suprema Corte derruba tarifas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (Ieepa). No entanto, outras tarifas, como as da seção 232 da Trade Expansion Act (relacionadas à segurança nacional, como aço e alumínio) e as aplicadas a “práticas consideradas desleais”, permanecem em vigor.

Setores celebram o fim das tarifas

Indústria do café comemora

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) manifestou posicionamento favorável à decisão. “A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) manifesta posicionamento favorável à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que reforça a segurança jurídica e o respeito às competências legais nas relações comerciais internacionais”, disse Pavel Cardoso, presidente da Abic.

Cardoso ressaltou que medidas unilaterais podem “gerar incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva”. Para a indústria do café, “previsibilidade, isonomia e regras claras são fundamentais para garantir estabilidade, investimentos e proteção ao consumidor”.

Plástico e pescado também são beneficiados

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) também acompanha a decisão, que declarou ilegais as tarifas impostas com base na Ieepa. A Corte entendeu que a legislação permite ao presidente “regular” a importação, mas não impor tarifas, competência que cabe ao Congresso.

“Para o Brasil, a decisão representa um alívio relevante ao eliminar parte da imprevisibilidade que vinha marcando o ambiente comercial recente”, afirmou a Abiplast. Contudo, a associação alertou que Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% por 150 dias, com base na Seção 122 da legislação comercial, para substituir algumas tarifas derrubadas.

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) recebeu a notícia “com otimismo”. A entidade projeta um aumento de até 100% nas exportações brasileiras de pescados para os EUA, com um crescimento estimado de 35% nas exportações totais do setor, especialmente na cadeia da tilápia.

Setor têxtil acompanha com cautela

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também acompanha “com cautela” a decisão e os desdobramentos políticos. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de têxteis e confeccionados.

“Cabe destacar que as tarifas aplicadas pelos EUA aos produtos têxteis e de vestuário já estão entre as mais elevadas da estrutura tarifária americana, e medidas adicionais podem comprometer a competitividade e a viabilidade das exportações”, alertou a Abit.

Com informações da Agência Brasil