
A cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, será palco da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), a partir de 23 de março. O evento reunirá representantes de 132 países e da União Europeia para discutir a conservação de animais que percorrem longas distâncias, enfrentando ameaças crescentes.
Declínio alarmante de espécies migratórias em foco
A principal pauta da conferência será o primeiro relatório global sobre o estado das espécies migratórias. Segundo a chefe de Conservação da Natureza do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Kelly Malsch, o documento aponta um declínio de 24% no estado de conservação dessas espécies. Isso significa que uma em cada quatro espécies listadas pela Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) está ameaçada de extinção.
O declínio representa um aumento de 2% desde a COP14, realizada em 2024. Mais preocupante ainda é o aumento da proporção de espécies com populações em declínio, que subiu de 44% para 49%. Essas informações são baseadas em dados da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Ações e desafios para a conservação
A secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou que os debates na COP15 se concentrarão na implementação de políticas eficazes. Entre os pontos a serem abordados estão o combate à captura ilegal e insustentável de espécies, a redução da captura acidental em atividades pesqueiras e o fortalecimento da conectividade ecológica para mitigar a destruição de habitats.
Serão discutidas medidas específicas para espécies e planos de conservação em diferentes escalas geográficas. A análise de infraestruturas terrestres e marinhas, o apoio à expansão da energia renovável com minimização de impactos, e o enfrentamento de problemas de poluição e mudanças climáticas também estão na agenda.
Novos estudos e inclusão de espécies
A COP15 também apresentará novos estudos para subsidiar decisões e aprimorar o monitoramento. Dois relatórios importantes serão lançados na abertura do evento: um sobre peixes migratórios de água doce e outro sobre os impactos da mineração em águas profundas em espécies marinhas.
A conferência também discutirá a inclusão de 42 novas espécies sob a proteção da convenção e o reforço de medidas globais já existentes. O Brasil, signatário da convenção desde 2015, é um país crucial para as rotas migratórias de quase 1,2 mil espécies.
A importância das espécies migratórias reside em seu papel no transporte de nutrientes, dispersão de sementes e como indicadoras da saúde dos ecossistemas. A perda de habitat e a sobre-exploração representam sérias ameaças, classificadas nos Anexos 1 e 2 da CMS.
Com informações da Agência Brasil





