
O programa Caminhos da Reportagem, exibido nesta segunda-feira (30) na TV Brasil, lança um olhar crítico sobre o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil. A reportagem aborda como a mudança no sistema alimentar, e não a “falta de força de vontade” individual, tem levado a um aumento de doenças crônicas, obesidade e sobrepeso.
O conceito de ultraprocessado e seus impactos
O episódio “Ultraprocessados na Mesa dos Brasileiros” explica a origem do conceito de ultraprocessado e como identificar esses produtos. A discussão se aprofunda nas consequências sociais e de saúde decorrentes do alto consumo, destacando que o sistema alimentar atual “acaba estimulando as pessoas a quase compulsoriamente consumir alimentos ultraprocessados”, segundo o pesquisador Carlos Monteiro.
Custos para a saúde e economia
Um levantamento da Fiocruz Brasília e do Nupens aponta que o consumo de ultraprocessados gera um custo superior a R$ 10 bilhões para a saúde e a economia do Brasil. Eduardo Nilson, pesquisador da Fiocruz Brasília, afirma que estudos indicam que até 57 mil mortes anuais poderiam ser evitadas com a eliminação desses produtos da dieta.
Políticas públicas e desafios tributários
A reportagem também discute a necessidade de uma política fiscal mais agressiva contra os ultraprocessados. Apesar da reforma tributária de 2023, que prevê a transição entre 2026 e 2033, os produtos ultraprocessados ficaram de fora do imposto seletivo, com exceção das bebidas açucaradas. A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Kelly Santos, explica que a intenção é zerar impostos de alimentos saudáveis e aumentar para os não saudáveis, mas uma lei complementar ainda é necessária para definir alíquotas para bebidas açucaradas, inspirada em exemplos como México e Chile.
Educação e regulação da publicidade
Estratégias de educação nutricional e regulação da publicidade são apontadas como medidas importantes para frear o consumo. Paula Johns, diretora executiva da ACT Promoção da Saúde, compara a situação com o sucesso das restrições à publicidade de cigarros e defende um marcador claro para identificar alimentos ultraprocessados, criticando alegações nutricionais enganosas em produtos como biscoitos recheados.
Impacto nas crianças
Luciana Phebo, chefe da área de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, ressalta a gravidade do problema para crianças em desenvolvimento. “Ser desde cedo afetado por ultraprocessado vai levar esse corpo a muitas outras doenças crônicas”, alerta.
Histórias de superação
O programa apresenta exemplos de quem mudou hábitos alimentares, como a história do estudante Luan Bernardo Marques Gama, de 13 anos, que reverteu um quadro de pré-diabetes com acompanhamento nutricional. Sua mãe, Cecília Marques, relata a importância da leitura de rótulos e da prática de esportes para a recuperação do filho, que após um ano no programa recebeu alta.
Com informações da Agência Brasil





