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Brasil vive clima de Copa do Mundo com a torcida pelo filme “O Agente Secreto” no Oscar

Em um raro momento de união nacional no audiovisual, o Brasil se prepara para a cerimônia do Oscar com um clima que remete às finais de Copa do Mundo. Bares, cinemas e cineclubes em diversas cidades organizam transmissões ao vivo, bolões e quizzes, demonstrando uma torcida coletiva pela 98ª edição da premiação.


Diferente de Hollywood, onde o Oscar é visto como uma engrenagem de campanhas de estúdio, no Brasil a premiação ganha contornos de mobilização popular. Memes, correntes de torcida e a participação espontânea de cinéfilos lembram a comoção gerada no ano passado com “Ainda Estou Aqui”.


“O Agente Secreto” lidera a expectativa

Este ano, o foco da expectativa brasileira é “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. O filme concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura.

Mesmo competindo com superproduções de Hollywood, o longa brasileiro lidera a bilheteria entre os indicados ao Oscar. Segundo dados da FILME B, já foram vendidos 2.464.071 ingressos, com arrecadação superior a R$ 50 milhões.

O filme de Kleber Mendonça Filho é também o de menor orçamento entre os dez concorrentes ao prêmio principal, tornando sua trajetória ainda mais simbólica.

Transmissões coletivas ganham força

O fenômeno de acompanhar a premiação em grupo vem crescendo. No Rio de Janeiro, o produtor Cavi Borges, do Grupo Estação, organiza há 25 anos uma festa cinéfila para a transmissão do Oscar.

O evento, que começou de forma modesta, atraiu quase duas mil pessoas no ano passado, com cinco salas lotadas e um telão no saguão. “Quando o Brasil ganhou o Oscar, o cinema tremeu. Foi histórico”, relembra Borges.

Para este ano, a expectativa é ainda maior, com bolão, quiz cinéfilo e concurso de sósias de Wagner Moura. A transmissão ocorrerá simultaneamente nas salas do Estação Net Rio e do Estação Net Botafogo.

Impacto no cinema brasileiro

Cavi Borges destaca que essa mobilização tem um efeito direto no cinema brasileiro. “Muita gente que não frequentava cinema de arte começou a aparecer. Pessoas que iam ao shopping ver blockbuster foram à Estação para ver “Ainda Estou Aqui” ou “O Agente Secreto”. E quando chegam lá descobrem um monte de outros filmes.”

Ele ressalta que, embora o Brasil produza cerca de 300 filmes por ano, o grande público conhece apenas alguns. A visibilidade proporcionada por um filme indicado ao Oscar pode revelar a diversidade da produção nacional.

“Soft power brasileiro” e responsabilidade

Kleber Mendonça Filho expressou gratidão pela “energia incrível” do público brasileiro e ressaltou a importância das políticas públicas de incentivo ao audiovisual.

Para o diretor, o reconhecimento internacional de “O Agente Secreto” representa um “soft power brasileiro”, projetando a cultura e identidade do país globalmente. Ele também mencionou sentir “medo de decepcionar” diante da grande expectativa.

Novas categorias e apostas

Especialistas apontam a nova categoria de Melhor Direção de Elenco como uma forte chance para o Brasil. Gabriel Domingues foi indicado pelo trabalho em “O Agente Secreto”, responsável pela seleção de mais de 60 atores.

Apesar do entusiasmo nacional, a disputa permanece aberta. Veículos americanos apontam “Pecadores”, de Ryan Coogler, como favorito, mas publicações de cinema independente, como o IndieWire, colocaram “O Agente Secreto” no topo do ranking de Melhor Filme.

Na categoria de Melhor Ator, a concorrência inclui nomes como Timothée Chalamet e Michael B. Jordan. No entanto, Wagner Moura chega com um forte capital simbólico, especialmente após sua vitória no Globo de Ouro.

O que os prognósticos internacionais não capturam é a mobilização afetiva em torno do filme no Brasil. Nunca tantos portais, canais de cinema, podcasts e perfis nas redes sociais acompanharam tão intensamente a temporada de premiações.

Isso pode indicar um momento raro em que o cinema brasileiro volta a se ver no centro da conversa mundial.

Com informações da Agência Brasil