Brasil mantém participação em 36 organizações das quais EUA se retiraram sob Trump


A decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar o país de 66 organizações internacionais, com o argumento de que elas operavam contrariamente aos interesses americanos, impacta diretamente a atuação brasileira em diversas frentes. Das 66 entidades, o Brasil figura como membro ou parceiro em 36, abrangendo desde fundos da ONU voltados à democracia e ao desenvolvimento sustentável até agências de cooperação comercial e pesquisa científica.


Organizações com atuação no Brasil sob escrutínio de Trump

Entre as organizações que perderão o apoio financeiro e institucional dos EUA, e nas quais o Brasil mantém vínculo, está o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral (IDEA Internacional). Este instituto atuou como observador nas eleições brasileiras de 2022 e atestou o bom funcionamento do sistema de votação eletrônica, em um momento de questionamentos por parte de setores políticos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A saída dos EUA deste organismo pode enfraquecer sua capacidade de monitoramento e validação de processos democráticos globais.


Outra entidade afetada é o Fundo da ONU para a Democracia (UNDEF), que destinou cerca de US$ 1,9 milhão a nove projetos no Brasil entre 2007 e 2025. Essas iniciativas focavam em áreas como governança climática, fortalecimento de movimentos de familiares de vítimas de violência estatal, democracia deliberativa e combate à desigualdade. A interrupção do financiamento americano pode prejudicar a continuidade e a expansão de ações cruciais para o desenvolvimento social e ambiental brasileiro.

Impacto em cooperação comercial e científica

O Centro de Comércio Internacional (ITC), agência conjunta da OMC e Unctad, também figura na lista de saída dos EUA. No Brasil, o ITC atua em parceria com a ApexBrasil no programa SheTrades, que visa aumentar a participação de mulheres no comércio internacional através de capacitação e acesso a mercados. Além disso, desenvolve projetos para o fortalecimento de pequenos agricultores e negócios de impacto social, especialmente na Amazônia.

A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), responsável por subsidiar políticas públicas de conservação da biodiversidade com base em relatórios científicos, é outra organização da qual os EUA se retiram. No Brasil, essa plataforma apoia iniciativas como o Projeto Baía de Araçá, focado no estudo de ecossistemas locais.

Participação em órgãos de governança e desenvolvimento

A Comissão de Veneza do Conselho da Europa, que auxilia países em temas constitucionais e eleitorais, e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, que colabora com a Itaipu Binacional em projetos de desenvolvimento sustentável, são outros exemplos de organizações multilaterais das quais o Brasil participa e que foram alvo da decisão americana. O Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR), com seu centro de capacitação em Curitiba, também está entre as entidades que não contarão mais com a presença dos EUA.