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Bloco Mulheres Rodadas usa carnaval para debater violência contra a mulher no Rio

O bloco de carnaval Mulheres Rodadas, que desfila na Zona Sul do Rio de Janeiro, voltou a pautar a discussão sobre violência contra a mulher em seu desfile nesta quarta-feira (18). Através de fantasias, performances e a seleção musical, o coletivo busca conscientizar sobre o assédio, a violência doméstica e o feminicídio.


Um desfile com mensagem

A pernalta e acrobata Luciana Peres, de 46 anos, exemplificou a proposta do bloco com sua fantasia. Uma marca de tiro feita de pintura corporal e eletrochoques simbolizados por lantejoulas prateadas remeteram às tentativas de assassinato sofridas por Maria da Penha Fernandes, farmacêutica que deu nome à Lei Maria da Penha, em 2006. Em 2025, o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio, segundo o Ministério da Justiça e da Segurança Pública.


“Eu não consegui pensar em outro assunto que não fosse a luta pela vida das mulheres”, disse Peres. Ela também refletiu sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, que se completam em 2026, em contraponto ao recorde de feminicídios.

Performances e solidariedade feminina

Desde 2015, o Mulheres Rodadas utiliza elementos artísticos para abordar temas como violência e assédio. A performance ao som de “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, simula a violência transfóbica, enquanto tintas vermelhas e acrobacias representam agressões.

O bloco também celebra a solidariedade entre as mulheres, com momentos em que uma puxa a outra do chão, simbolizando a união e o apoio mútuo. A lista de músicas escolhidas pela coordenadora de percussão, Simone Ferreira, prioriza intérpretes e compositoras mulheres, além de canções que exaltam a condição feminina.

Música e representatividade

O repertório incluiu clássicos como “Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga, sucessos de artistas como Anitta, Pabllo Vittar, Fafá de Belém, e hits internacionais como “Toxic”, de Britney Spears, e “Girls Just Want Have Fun”, de Cyndi Lauper.

Presença internacional e a luta contínua

O bloco atraiu turistas e artistas estrangeiros este ano. A francesa Lucie Cayrol homenageou a advogada Gisèle Halimi, figura chave na despenalização do aborto na França em 1975, mas ressaltou que a violência doméstica ainda é uma realidade no país, citando o caso de Gisèle Pelicot.

Renata Rodrigues, jornalista e coordenadora do bloco, enfatiza a atualidade do tema mesmo após uma década de existência do coletivo. “Nós somos um dos poucos coletivos, no Rio, que discute a violência contra a mulher no carnaval”, afirmou, ressaltando a necessidade de apoio do poder público e da iniciativa privada.

O folião Raul Santiago destacou a importância do engajamento masculino na luta contra a violência. “Os homens precisam estar junto, precisam mudar a atitude e a forma de pensar, ser antimachista, entender os lugares sociais e defender a igualdade”, declarou.

Com informações da Agência Brasil