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Bloco Bafo da Onça celebra 70 anos com desfile histórico em Santa Teresa

O Bloco Bafo da Onça celebrou seus 70 anos de história com um desfile especial em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, marcando um novo capítulo para a tradicional agremiação. Pela primeira vez em 2026, o bloco ocupou as ladeiras do charmoso bairro, apresentando uma bateria com mais de 100 ritmistas e uma parceria inédita com o Cacique de Ramos.


Um retorno às origens e novas parcerias

Fundado em 1956, o Bafo da Onça é o segundo bloco de carnaval mais antigo do Rio de Janeiro em atividade, atrás apenas do Cordão da Bola Preta. Ao longo de sete décadas, tornou-se um símbolo do carnaval de rua e da cultura popular carioca. A mudança para Santa Teresa é vista pelos integrantes como um reencontro com as raízes do bloco.


“É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”, afirma Rafa Manso, integrante do bloco, que destaca a importância da personagem “oncinha” como símbolo da força e identidade do grupo.

Para o presidente do bloco, Roberto Saldanha, conhecido como Capilé, desfilar em Santa Teresa tem um significado profundo. “Isso aqui para mim é um sonho. Eu tô no meu quintal. Eu tô em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. Não tem nada de confusão, problema, aqui a gente só quer brincar”, declara Saldanha, que lidera o bloco há mais de 50 anos.

Rainha, legado e reconstrução

Entre os destaques do cortejo está Chelen Verlink, Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescência. “Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”, explica Chelen, ressaltando o caráter familiar do bloco.

O desfile também relembrou a resiliência do bloco após um incêndio em 2020 que atingiu sua sede histórica, destruindo instrumentos, fantasias e parte do acervo. Como parte do processo de reconstrução, o Bafo da Onça estreou uma nova bateria, com instrumentos adquiridos por meio de emenda parlamentar.

União e fortalecimento do carnaval de rua

A parceria com o Cacique de Ramos, um antigo rival que se tornou aliado, foi outro ponto alto da celebração. A aproximação se consolidou em 2025, quando a tradicional roda de samba do Cacique se apresentou na quadra do Bafo. “Na realidade, nós nunca fomos rivais. Nós somos irmãos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval é festa”, reforça Saldanha.

A novidade foi bem recebida pelos foliões. Luana Brito, de 31 anos, que veio de Bangu para acompanhar o desfile, celebrou a união. “Eu já tinha planejado vir. No sábado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que é um bloco muito bom. Essa parceria é perfeita. A expectativa é que seja perfeito”, diz Luana.

Para os integrantes, a união entre blocos tradicionais fortalece o carnaval de rua. “Vai atrair mais público. É bom que outros blocos também se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avalia Rafa Manso.

O desfile de 70 anos reafirma a vocação do Bafo da Onça de ocupar o espaço público como território de encontro, memória e festa, mantendo o bloco ativo no circuito oficial do carnaval carioca.

Com informações da Agência Brasil