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Banco Central reduz juros básicos para 14,75% ao ano em decisão unânime do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, reduzir a Taxa Selic, os juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,75% ao ano. Esta é a primeira vez em quase dois anos que os juros básicos sofrem um corte, uma decisão que já era esperada pelo mercado financeiro, mesmo diante das incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio.


Cautela diante de conflitos globais

Em seu comunicado, o Copom destacou que o aumento das incertezas provenientes do conflito no Oriente Médio exige uma postura mais cautelosa. A autoridade monetária não descartou a possibilidade de rever o ciclo de baixa, caso as circunstâncias demandem. “O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, ressaltou o texto.


Histórico da Taxa Selic

A Taxa Selic estava em 15% ao ano desde junho do ano passado. A última redução ocorreu em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. Posteriormente, em setembro do mesmo ano, o Copom iniciou um ciclo de elevações que levou a taxa aos atuais 15%.

Inflação e Metas

A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para o controle da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o IPCA registrou uma aceleração para 0,7%, influenciado principalmente pelas mensalidades escolares. Apesar dessa alta, o indicador acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, marcando a primeira vez desde maio de 2024 que o índice ficou abaixo de 4%.

Sob o novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro deste ano, a meta de inflação a ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, situando o limite inferior em 1,5% e o superior em 4,5%.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro, o BC reduziu a previsão do IPCA para 2026 para 3,5%. Contudo, essa estimativa será revista em virtude do comportamento do dólar e da inflação. As previsões do mercado, segundo o boletim Focus, indicam que a inflação oficial deve fechar o ano em 4,1%, abaixo do teto da meta. Há um mês, antes do conflito no Oriente Médio, as estimativas estavam em 3,95%.

Impacto na Economia

A redução da Taxa Selic tende a impulsionar a economia ao baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo. Por outro lado, taxas de juros menores podem apresentar desafios para o controle inflacionário. O Banco Central manteve em 1,6% a previsão de crescimento da economia para 2026. O mercado, por sua vez, projeta uma expansão de 1,83% do PIB em 2026, de acordo com o boletim Focus.

A taxa básica de juros é referência para as demais taxas de crédito no país e utilizada nas negociações de títulos públicos. Ao reduzir os juros, o Copom busca baratear o crédito e incentivar a atividade econômica, mas precisa garantir que os preços estejam sob controle para evitar pressões inflacionárias.

Com informações da Agência Brasil