Início Saúde Aplicativo do Ministério da Saúde receita cloroquina até para bebês

Aplicativo do Ministério da Saúde receita cloroquina até para bebês


Lançada em Manaus pelo ministro Eduardo Pazuello, no dia 13 de janeiro, a plataforma TrateCov, do Ministério da Saúde, receita ‘tratamento precoce’ com cloroquina, ivermectina e antibióticos para qualquer paciente que relatar sintomas semelhantes aos do coronavírus. O que inclui sinais tão triviais como dor de cabeça e diarreia – e independe da idade.


A descoberta foi feita por jornalistas que usaram a plataforma para simular a ‘consulta’ por diferentes perfis de pacientes. O aplicativo ‘receitou’ o kit-Covid até mesmo para bebês recém-nascidos. O TrateCov, que está inserido na plataforma Redcap do Ministério da Saúde, ficou instável nesta quarta-feira (20).


 

 

O TrateCov foi anunciado pelo ministro Pazuello como uma ferramenta para agilizar o atendimento de pacientes. Embora a prescrição só possa ser feita oficialmente pelo médico, o modelo permite que qualquer cidadão faça uma autoconsulta, em que relata os sintomas e recebe uma receita prévia – que, invariavelmente, recomenda o ‘tratamento precoce’.

Isso ocorre porque a programação da plataforma foi feita para repetir o receituário. As simulações mostraram que a recomendação foi a mesma para ‘pacientes’ com vários tipos de queixas, de fadiga a dor de cabeça, de diarreia a dor na nuca.

De acordo com os testes feitos, o que muda, basicamente, é a quantidade de medicamentos receitada de acordo com o peso de quem simula a receita. Médicos ouvidos pela coluna alertam para o risco de que esse tipo de medida provoque uma corrida por remédios desnecessários, que não têm eficácia comprovada contra a Covid-19, e ainda podem piorar o estado de saúde dos pacientes. É o caso da cloroquina, por exemplo, que pode agravar quadros de arritmia cardíaca.

Especialistas também apontaram que o aplicativo do Ministério da Saúde aumenta a pressão de uma parte dos pacientes para que recebem a prescrição dos remédios:

– A pessoa não pode ir à farmácia e comprar o medicamento, mas o aplicativo induz a pedir a receita ao médico, exigindo inclusive as dosagens. Isso leva a uma pressão sobre o profissional e estimula a automedicação, que é algo que estamos combatendo há tanto tempo no Brasil – diz Ronaldo Zonta, membro da Associação Catarinense de Medicina da Família.

Tratamento precoce

O ‘tratamento precoce’ receitado pelo aplicativo entrou no centro da polêmica depois que foi recomendado e incentivado pelo governo federal como solução para a explosão de casos de Covid-19 em Manaus. Uma equipe de médicos chegou a fazer peregrinação em postos de saúde para estimular o uso do protocolo.

Dias depois, pessoas morreram no Amazonas por falta de suprimento de oxigênio, fundamental para o suporte de vida de pacientes graves. O governo optou por priorizar o tratamento com remédios, ao invés da logística de insumos.

Diante da repercussão, o ministro passou a dizer que não incentivou o tratamento precoce – mas foi desmentido pelo registro de suas próprias afirmações anteriores. Vale ressaltar que o protocolo com cloroquina, ivermectina e outros medicamentos não tem respaldo científico.

O Ministério da Saúde ainda não se pronunciou sobre o aplicativo, e por que ele está com instabilidade.

Com informações da NSC TOTAL

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