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Acordo Mercosul-UE: Brasil pode alcançar 36% do comércio global com novas regras tarifárias


A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) tem o potencial de catapultar a participação do Brasil no comércio global de bens de 8% para 36%. Essa projeção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), baseia-se no peso da UE no comércio mundial, que em 2024 representou 28% do total. A formalização do tratado, celebrado após mais de duas décadas de negociações, é vista pela entidade como um divisor de águas estratégico para a indústria nacional.


Acesso Ampliado e Tarifas Zeradas

O levantamento da CNI detalha que, com o acordo, mais de cinco mil produtos brasileiros, correspondendo a 54,3% do total negociado, terão suas tarifas de importação zeradas na União Europeia imediatamente após a vigência do pacto. Em contrapartida, o Brasil concederá prazos estendidos, de 10 a 15 anos, para a redução tarifária de 4,4 mil itens (44,1% do total), garantindo uma adaptação progressiva e previsível para a economia local. A análise aponta que 82,7% das exportações brasileiras para a UE já iniciarão o processo sem a incidência de impostos, enquanto o Brasil zerará tarifas para apenas 15,1% das importações europeias no início, evidenciando um saldo inicial favorável ao país.


Transição Gradual e Benefícios Setoriais

Comparativamente, o Brasil terá uma média de oito anos adicionais para se ajustar às reduções tarifárias em relação aos países europeus, considerando o cronograma bilateral. A CNI ressalta que o acordo é o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul, indo além da simples redução de tarifas para incorporar elementos que aumentam a previsibilidade regulatória, diminuem custos operacionais e criam um ambiente mais propício a investimentos, inovação e geração de empregos. No setor agroindustrial, cotas negociadas para produtos como carne bovina e arroz foram significativamente ampliadas em comparação com acordos anteriores da UE com outros parceiros, abrindo novas perspectivas de mercado.

Cooperação Tecnológica e Sustentabilidade

O tratado também estabelece um terreno fértil para o avanço em projetos de pesquisa e desenvolvimento focados em sustentabilidade e inovação tecnológica. As novas demandas regulatórias e de mercado impulsionarão oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial, como captura e armazenamento de carbono, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão e reciclagem de baterias. O desenvolvimento de bioinsumos para uma agricultura mais resiliente também se beneficiará, fortalecendo a cooperação tecnológica e acelerando a transição para uma economia de baixo carbono, elevando a competitividade brasileira no cenário europeu.

Investimentos e Complementaridade Econômica

A União Europeia figura como o segundo principal mercado para as exportações brasileiras, com um volume de US$ 48,2 bilhões em 2024, e como o principal investidor estrangeiro no Brasil, com um estoque de US$ 321,4 bilhões em 2023. A complementaridade entre as economias, com forte intercâmbio de produtos industriais, contribui para a modernização do parque industrial brasileiro. Por outro lado, o Brasil se destaca como o maior investidor latino-americano na UE, demonstrando a relevância da relação bilateral em ambas as direções.

Com informações da Agência Brasil.