
Em um esforço conjunto para acelerar a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Congresso Nacional articulam uma série de ações focadas em derrubar resistências e atualizar a percepção do Brasil na Europa. A iniciativa visa combater estereótipos negativos e destacar as novas realidades econômicas e sociais do país, que podem estar sendo ofuscadas por visões desatualizadas.
Campanha para Desmistificar o Brasil na Europa
A Apex-Brasil prepara uma ofensiva de comunicação estratégica para desconstruir visões equivocadas sobre o Brasil, especialmente no que diz respeito ao agronegócio e às agendas ambiental e social. A percepção de que o acordo é predominantemente agrícola, por exemplo, é um dos pontos a serem rebatidos, com dados que apontam a União Europeia como o segundo maior destino das exportações brasileiras, movimentando quase US$ 50 bilhões anualmente, onde o agronegócio representa uma parcela menor do que a imaginada. A agência argumenta que a imagem do Brasil evoluiu significativamente nos últimos anos e que os argumentos utilizados no passado já não condizem com o cenário atual.
Oportunidades Econômicas Ampliadas com o Acordo
Um estudo recente divulgado pela Apex-Brasil revela o potencial expressivo do acordo para o Brasil. A análise indica que o país pode expandir suas exportações em 543 produtos com a desgravação tarifária imediata, acessando um mercado europeu que importa anualmente US$ 43,9 bilhões desses itens. A Europa Ocidental surge como a região com o maior número de oportunidades, respondendo por 266 produtos, seguida pela Europa Meridional, Europa Oriental e Europa Setentrional. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras para a Europa Ocidental já somaram uma média anual de US$ 831 milhões.
Desafios Políticos e Revisão Jurídica na Europa
A articulação acontece em um momento delicado, após o Parlamento Europeu aprovar, por uma margem estreita, um pedido de revisão jurídica adicional do acordo, assinado após duas décadas e meia de negociações. Embora a decisão não inviabilize o tratado, ela representa um obstáculo político que pode estender a tramitação em até dois anos. A exigência por salvaguardas ambientais mais rigorosas e novos mecanismos de verificação, defendida por alguns parlamentares europeus, é vista pelo governo brasileiro como um potencial risco de comprometer o texto negociado. A baixa mobilização dos defensores do acordo e a atuação de lobbies agrícolas europeus contrários à entrada de produtos brasileiros foram apontados como fatores que contribuíram para o resultado da votação. Com informações da Agência Brasil.





