
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira a sua penúltima reunião do ano para bater o martelo sobre a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. O mercado financeiro acompanha a decisão com grande expectativa, projetando uma trajetória de alívio nos juros mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
A decisão baliza o custo do crédito para empresas e famílias, além de ditar o ritmo da atividade produtiva e do consumo em todo o país.
Mercado projeta sexto corte consecutivo na Selic
Mesmo com a instabilidade cambial e a recente valorização do dólar, a maior parte dos analistas consultados pelo Boletim Focus aposta na continuidade do afrouxamento monetário. A previsão predominante é de um recuo de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica dos atuais 13,75% para 13,5% ao ano — o que consolidaria a sexta redução consecutiva.
Esse movimento representa uma desaceleração controlada após a taxa ter atingido o teto de 15% ao ano entre meados de 2025 e o início de 2026, seu patamar mais elevado em quase duas décadas. Contudo, para a reunião de encerramento do calendário em dezembro, o sentimento predominante mudou: analistas já apontam para uma pausa no ciclo e manutenção da taxa em 13,5%.
Inflação, petróleo e câmbio colocam pressão no Banco Central
O colegiado chega à reunião cercado por vetores de risco que limitam a margem para cortes mais profundos. Apesar de a prévia da inflação oficial (IPCA-15) de outubro ter desacelerado no comparativo mensal, a taxa acumulada em 12 meses atingiu 4,62%, ultrapassando o limite superior da meta contínua (estipulada pelo CMN em 3%, com tolerância máxima de 4,5%).
As projeções do mercado para o índice fechado do ano já estão em torno de 5,22%. Entre os principais fatores que alimentam essa pressão nos preços estão:
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Petróleo e tensões externas: Os conflitos no Oriente Médio encarecem o barril de petróleo e afetam custos de frete e transporte.
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Câmbio valorizado: A alta do dólar encarece produtos e insumos importados, refletindo diretamente nas gôndolas.
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Clima e alimentação: Os impactos do fenômeno climático El Niño seguem como risco para os preços de alimentos essenciais.
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Despesas públicas: O ritmo dos gastos do governo mantém a demanda aquecida, exigindo cautela da autoridade monetária.
Reunião com desfalque na cúpula do Banco Central
Outro elemento de atenção para os agentes econômicos é a composição da mesa decisória. O Copom opera com desfalque na diretoria: dois mandatos expiraram no fim de 2025 e os nomes substitutos ainda não foram formalmente encaminhados ao Congresso Nacional pela Presidência da República.
A deliberação incompleta adiciona peso técnico ao comunicado oficial emitido após o fechamento do mercado, no qual os diretores devem explicar os próximos passos da política monetária sob o regime de meta contínua.
Com informações da Agência Brasil





