
Com foco na inclusão, na superação de barreiras de acesso à assistência especializada e no fortalecimento das ações do Outubro Rosa, o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil, realizará, nesta quinta-feira
(29), uma ação de atendimento em mastologia voltada a homens e mulheres trans.
Intitulada ‘Mastologia mais Inclusiva: atendimento especializado à População Trans do Amazonas’, a ação prevê o atendimento de 23 pacientes agendados e encaminhados pelo Ambulatório de Diversidade Sexual e de Gênero Dra. Dária Neves, da rede estadual de saúde.
Segundo a mastologista do HUGV-Ufam, Conceição Crozara, que coordena a ação, a proposta dá continuidade às iniciativas de inclusão desenvolvidas pelo hospital desde 2024, quando foi realizada a I Jornada Multiprofissional de Cirurgias de Modificações Corporais em Pessoas Trans e Intersexo, que resultou na realização de 23 cirurgias e reuniu especialistas de diferentes instituições de saúde do país.
Acesso e acolhimento
De acordo com a mastologista, entre os desafios enfrentados pela população trans na busca por assistência especializada estão o receio de discriminação, as dificuldades de acolhimento nos serviços de saúde e a falta de orientação sobre a necessidade de acompanhamento
médico.
“Muitas vezes existe o receio da transfobia institucional, de não serem bem acolhidos. Algumas instituições ainda não estão preparadas para atender essa população, inclusive em questões básicas, como o uso do nome social. Tudo isso pode contribuir para uma procura reduzida pelos serviços de saúde”, observa.
A médica destaca que homens e mulheres trans apresentam particularidades que devem ser consideradas na avaliação da saúde mamária, especialmente em relação ao uso de hormônios e à realização de cirurgias de afirmação de gênero.
“Nas mulheres trans, o desenvolvimento das mamas durante a terapia hormonal pode exigir acompanhamento especializado. Já entre os homens trans, a presença de tecido mamário, inclusive residual após cirurgias de masculinização do tórax, também demanda atenção”, explica a especialista.
Conceição explica que as recomendações de acompanhamento e rastreamento devem considerar fatores individuais, como idade, histórico familiar, tempo de uso de hormônios e procedimentos cirúrgicos realizados. A avaliação especializada permite identificar as necessidades de cada paciente e orientar os cuidados adequados.
Continuidade da assistência
Além das consultas no Ambulatório Araújo Lima, a ação contará com o apoio de uma equipe multiprofissional, incluindo profissionais de psicologia e serviço social. Também será realizada uma pesquisa de satisfação para identificar as necessidades dos pacientes e avaliar possíveis melhorias no atendimento.
“Precisamos entender o que é necessário para que essas pessoas se sintam mais à vontade para procurar o serviço. Nosso interesse é manter essa assistência especializada, não apenas na mastologia, mas também abrir portas para outras necessidades de saúde dessa população”, afirma Conceição.
A proposta também busca fortalecer a integração entre os serviços da rede pública, facilitando o encaminhamento da população trans para as especialidades oferecidas pelo HUGV.
“O SUS é universal, é para todos. A saúde é um direito de todas as pessoas, e precisamos oferecer um atendimento digno, humano e inclusivo. A nossa intenção é que essa população seja acolhida e atendida de forma regular, dando continuidade à assistência para além desta ação”, conclui.
Sobre a HU Brasil
O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Com informações da assessoria





