
O que começou como uma das maiores operações policiais do ano em Manaus rapidamente se transformou em uma tempestade política em plena corrida eleitoral. A apreensão de cerca de 2,5 toneladas de maconha tipo skunk em uma instituição social no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul da capital, deflagrou uma guerra de narrativas jurídicas e forte repercussão entre os candidatos ao Governo do Amazonas.
A operação policial e a rota fluvial da droga
Na quinta-feira (3), policiais do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), sob o comando do delegado Rodrigo Torres, interceptaram dois caminhões carregados de entorpecentes estacionados no pátio do Instituto União. Segundo as investigações, que já vinham monitorando o grupo desde 2024, a carga foi produzida na Colômbia, entrou no Brasil por via fluvial pelo Rio Japurá e tinha Manaus como entreposto logístico provisório.
Os veículos já estavam preparados para seguir rumo ao Nordeste, com rotas traçadas para o Ceará e a Paraíba. O homem detido na ação, apontado como peça-chave na logística da quadrilha, havia fundado a instituição social há apenas dois meses. Ele foi autuado em flagrante e teve a prisão preventiva decretada por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
O estopim político
O caso ganhou contornos eleitorais no dia seguinte, quando veio a público que o investigado, mantinha publicações em redes sociais se apresentando como apoiador e coordenador de candidata do PL ao Governo do Estado. Além disso, a presença de materiais gráficos da coligação no local da apreensão e a divulgação dessas imagens durante a apresentação policial provocaram fortes reações imediatas nos bastidores políticos.
A chapa da candidata do PL, “Mudar é Urgente”, protocolou uma notícia-crime no Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) pedindo apuração rigorosa sobre o que classificou como uma tentativa deliberada de vincular sua imagem ao crime organizado. Em tom enfático, a candidata elogiou a retirada dos entorpecentes de circulação, mas desafiou adversários e repudiou qualquer insinuação de envolvimento.
A assessoria jurídica da campanha, liderada pelo advogado Sérgio Bringel Júnior, informou que o suspeito jamais figurou no quadro oficial da equipe registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e que a posse de panfletos ou adesivos por terceiros é juridicamente neutra, dada a livre circulação de material de rua. A defesa anunciou que ingressará com representações no TRE-AM com pedidos de inelegibilidade contra opositores.
Entre fardos de entorpecentes interceptados e representações judiciais em curso, o caso segue em duas frentes distintas: no Denarc, com o rastreamento das rotas do narcotráfico, e na Justiça Eleitoral, onde os desdobramentos prometem ditar os rumos dos debates da política nos próximos dias.





