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Estireno em Manaus: HUGV orienta sobre os cuidados imediatos após inalação do gás

Foto: HUGV-Ufam

O vazamento de estireno, registrado em Manaus nesta quarta-feira (15), elevou a procura da população por informações sobre os riscos da exposição à substância e as condutas adequadas diante da inalação do produto. Desde o episódio, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que funciona no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), da Rede HU Brasil, passou a registrar aumento no número de atendimentos por telefone.

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O estireno é uma substância química utilizada na fabricação de plásticos e resinas. A inalação do produto pode causar irritação das vias respiratórias e dos olhos, além de provocar manifestações que variam conforme o tempo de exposição, a concentração no ambiente e as condições de saúde da pessoa.

Segundo a chefe da Unidade de Farmácia Clínica do HUGV, Sangely Mendonça, responsável pelo atendimento do CIATox, a maior parte das ligações recebidas pelo serviço nesta quinta-feira (16) é de pessoas que buscam informações para terceiros. “As pessoas ligam para saber como orientar a família, colegas de trabalho e moradores de áreas próximas. A demanda realmente está bastante alta”, afirma.


Entre os sintomas mais relatados por quem procurou o serviço nas últimas horas estão o desconforto respiratório, que costuma surgir logo após a exposição, além de irritação nos olhos, no nariz e na garganta.


Medidas imediatas

De acordo com Sangely Mendonça, a primeira providência é interromper imediatamente a exposição ao produto. “Ao perceber que está em uma área contaminada, a pessoa deve sair imediatamente do local e procurar um ambiente aberto e ventilado, onde não haja contato com a substância. Se estiver dentro de casa e tiver condições de ir para outro ambiente seguro, essa também é uma orientação importante”, explica.


Caso haja irritação nos olhos ou na pele, a recomendação é lavar a região com água corrente em abundância. Se as roupas tiverem sido expostas ao produto, recomenda-se retirá-las assim que possível para reduzir o contato.

A especialista destaca que alguns sinais exigem avaliação médica imediata. “Dificuldade para respirar, sensação intensa de falta de ar, desmaio e dor importante no peito são situações que requerem atendimento de urgência”, alerta.

O que não fazer em caso de exposição
Uma das recomendações é não recorrer à automedicação para aliviar sintomas respiratórios ou outros desconfortos sem avaliação de um profissional de saúde. Também não é indicado permanecer na área contaminada acreditando que os sintomas desaparecerão espontaneamente, já que a continuidade da exposição pode agravar o quadro.

Sobre o uso de máscaras, a especialista ressalta que os modelos convencionais não oferecem proteção contra gases tóxicos. “Existem equipamentos específicos utilizados em ambientes industriais, mas eles não fazem parte da rotina da população. Mesmo em ambiente hospitalar, a recomendação é utilizar equipamentos de proteção adequados quando disponíveis”, salienta.

Também é importante não ignorar sintomas persistentes e procurar atendimento médico imediatamente.

Tratamento após a exposição

Pessoas que apresentarem sintomas após a exposição ao estireno devem procurar uma unidade de saúde ou, em situações de urgência, acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).

O tratamento é direcionado às manifestações apresentadas pelo paciente. “Não existe antídoto para essa substância. O tratamento é sintomático e de suporte, ou seja, depende dos sintomas apresentados pelo paciente. Se houver falta de ar ou desconforto respiratório persistente, é fundamental procurar um serviço de pronto atendimento para avaliação e, se necessário, realização de oxigenoterapia e outras medidas de suporte”, enfatiza.

Enquanto houver risco de exposição, a população também deve acompanhar as informações divulgadas pelos órgãos responsáveis pela ocorrência. “É importante acompanhar as notícias para verificar quais regiões podem estar sendo atingidas, porque esse produto pode se dispersar para outras áreas. Assim, as pessoas conseguem evitar permanecer em locais onde a concentração ainda seja maior”, pontua Sangely.

CIATox

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) funciona 24 horas por dia e presta atendimento à população e aos profissionais de saúde em casos de intoxicação e exposição a produtos químicos, medicamentos, animais peçonhentos e outras substâncias tóxicas.

Além do atendimento à população, o serviço oferece suporte técnico aos profissionais de saúde responsáveis pela condução desses casos. “Orientamos tanto a comunidade quanto os profissionais de saúde. Médicos que tenham dúvidas sobre o manejo desses pacientes também podem entrar em contato conosco para receber orientação técnica e acompanhamento”, finaliza a responsável pelo serviço.

O atendimento é realizado pelos telefones (92) 3305-4702 e 0800 722 6001.

Plano de Contingência

Nesta quinta-feira (16), o Colegiado Executivo do HUGV-Uam reuniu-se para aprovar o plano de contingência para o enfrentamento a “Exposição Acidental a Gás Tóxico (Estireno)”. O documento visa estabelecer diretrizes para resposta rápida diante da escalada de contaminação ambiental por estireno, visando proteger pacientes, acompanhantes, trabalhadores e visitantes, assegurando a continuidade da assistência hospitalar e reduzindo os riscos decorrentes da exposição ao agente químico.

“A criação do Comitê de Crise e a aprovação do plano de contingência permitem que o hospital esteja preparado para responder de forma organizada e eficiente a eventuais situações de risco, garantindo a proteção dos nossos pacientes, acompanhantes, trabalhadores e demais usuários dos serviços do HUGV”, finalizou o superintendente em exercício do HUGV-Ufam, André Mourão.

Sobre a HU Brasil

O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

Com informações da Assessoria