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Proposições legislativas sobre IA no Brasil focam em controle e vigilância, aponta dossiê

Um levantamento sobre proposições legislativas envolvendo inteligência artificial (IA) em cinco estados brasileiros (Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina) indica uma forte concentração em temas de controle e vigilância, em detrimento de áreas como educação. O Dossiê Orçamentário 2026, elaborado pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJR), analisou 183 propostas entre 2023 e 2025.

Segurança pública lidera propostas legislativas sobre IA

De acordo com o relatório, a segurança pública representa a maior parcela das proposições, somando 48% do total. A educação aparece em segundo lugar, com 22%, englobando propostas para programas e diretrizes de IA para estudantes.


Outras áreas como processamento de dados, trabalho, meio ambiente, proteção ao consumidor e saúde mental não alcançaram 10% das propostas, evidenciando o foco predominante em vigilância.


Partidos de direita impulsionam pauta de tecnologia e policiamento

O documento aponta que PSDB, União e PSD lideram a produção legislativa sobre IA. Esses partidos, com inclinação à direita, estariam monopolizando a pauta de tecnologia e policiamento nas assembleias legislativas.

A atuação desses partidos, inclusive em cargos de presidência de comissões de Segurança Pública, tem incentivado políticas de videomonitoramento e reconhecimento facial no policiamento ostensivo.

IA na segurança pública: monitoramento e vigilância em destaque

Os projetos que envolvem IA na segurança pública concentram-se em monitoramento urbano, com uso de câmeras e drones, programas de vigilância, aquisição de equipamentos e criação de centros de monitoramento.

Também são propostos sistemas integrados de reconhecimento facial, observatórios de segurança de cargas e até fundos para financiar o uso de IA na área de segurança pública.

Preocupações com o Estado Democrático de Direito e a privacidade

O relatório da IDMJR alerta que o uso de novas tecnologias, como a IA, pode representar uma ameaça ao Estado Democrático de Direito ao invadir o direito à privacidade dos cidadãos.

A privacidade é um direito garantido pela Constituição brasileira e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que fundamenta a proteção da personalidade e considera inviolável a vida privada.

Com informações da Agência Brasil