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COP15 em Campo Grande adiciona 40 espécies à proteção internacional e fortalece cooperação

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande (MS), concluiu seus trabalhos com a inclusão de mais 40 espécies em regras de proteção. O evento, que reuniu 132 países, também definiu 16 novas ações de cooperação internacional e 39 resoluções, marcando um avanço significativo nos esforços de conservação global.


Resultados Inéditos e Propostas Brasileiras

Segundo o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, a conferência foi um sucesso, destacando tanto o progresso coletivo quanto as iniciativas lideradas pelo Brasil. O país teve seis de suas sete propostas aprovadas para inclusão de espécies nos Anexos I (ameaçadas de extinção) e II (demandam esforços internacionais de conservação) da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).


Entre as espécies incluídas no Anexo I estão as aves maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado. O peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e a ave caboclinho-do-pantanal foram adicionados ao Anexo II. As aves petréis constam em ambas as listas.

A única proposta brasileira retirada das negociações foi a do tubarão cação-anjo-espinhoso, que aguardará uma reavaliação conjunta entre Brasil, Argentina e Uruguai. Outras propostas, como a francesa para inclusão da ariranha, também foram bem-sucedidas.

Avanços na Conservação Global

Das 42 propostas globais, a retirada do cervo-de-Bokhara do Anexo II não foi acordada, mantendo a espécie asiática sob proteção. O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, ressaltou que o evento avançou em 10% na proteção de espécies migratórias globais ainda não listadas, um marco para as COPs.

O Brasil também liderou a aprovação de ações de cooperação internacional, como o Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e iniciativas para a conservação de tubarões. Foram aprovadas 39 resoluções sobre saúde, proteção de habitats e compatibilização de infraestrutura com rotas migratórias.

Multilateralismo e Cooperação Estratégica

A escolha de Campo Grande, porta do Pantanal, foi estratégica para reforçar a mensagem de que a proteção de espécies migratórias exige cooperação entre os países. Patrick Luna, do Ministério das Relações Exteriores, enfatizou a importância do multilateralismo para solucionar problemas globais.

A COP15 também estabeleceu uma plataforma para mobilização de recursos, visando apoiar países em desenvolvimento no cumprimento dos compromissos da CMS. A convenção possui caráter legalmente vinculante, obrigando os países signatários a seguir suas decisões.

Com informações da Agência Brasil