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Observatório do Calor se expande para Manguinhos e Salgueiro após medições em favelas do Rio

O verão terminou em março, mas as altas temperaturas no Rio de Janeiro evidenciaram a necessidade de monitorar o impacto desigual do calor em favelas. O Observatório do Calor, iniciativa pioneira instalada no Complexo do Alemão, registrou um pico de 43,92 graus Celsius no Morro do Adeus em dezembro, contrastando com os 34ºC registrados oficialmente na cidade no mesmo dia. Diante dessa disparidade, a prefeitura anunciou a expansão do projeto para as comunidades de Manguinhos e Salgueiro.


Ilhas de calor e qualidade do ar sob observação

O Observatório do Calor, um projeto da Prefeitura do Rio, tem como objetivo medir as ilhas de calor e a qualidade do ar em favelas para propor melhorias. Fatores como a falta de árvores, adensamento habitacional, ruas estreitas e pouca ventilação intensificam o calor nessas áreas. A secretária municipal do Ambiente e Clima, Tainá de Paula, destacou a importância do observatório para entender esses impactos de forma localizada.


A força de trabalho para as medições será contratada nas próprias comunidades. Os dados serão coletados três vezes ao dia em diferentes pontos e analisados por especialistas para embasar intervenções ambientais e urbanísticas. A expansão conta com o apoio da UFRJ e da Uerj. Na segunda fase, pesquisadores ouvirão os moradores sobre os efeitos do calor em seu cotidiano, conforme explicou a professora Giselle Arteiro, da UFRJ, ressaltando a premissa de consciência ambiental e justiça climática do projeto.

Intervenções urbanísticas e soluções comunitárias

Em Manguinhos, comunidade densamente povoada e com poucos espaços verdes, a proximidade de vias expressas já afeta a qualidade do ar. O projeto busca reverter esses problemas com mudanças na gestão de lixo e intervenções urbanísticas, como plantio de árvores, criação de áreas de sombreamento e espaços livres para circulação de ar. A prefeitura planeja usar os dados para identificar os locais mais quentes e planejar microcorredores verdes e espaços de convivência mais frescos.

No Morro Salgueiro, localizado aos pés da Floresta da Tijuca, a intenção é também exportar soluções de mobilização comunitária. Emerson Menezes, presidente do Instituto Sal-Laje, ressaltou a particularidade da comunidade em uma zona de amortecimento do parque nacional, com áreas arborizadas e quintais produtivos. Ele também apontou a falta de acesso a aparelhos de refrigeração como um problema comum entre moradores de favelas.

O Sal-Laje, projeto social que oferece reforço escolar e apoia hortas comunitárias, também colaborará com o novo observatório. Em Manguinhos, os técnicos serão provenientes do Coletivo Manguinhos Cria.

Com informações da Agência Brasil