
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS solicitou o indiciamento de 216 indivíduos sob suspeita de participação em um esquema que realizava descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. O documento, com mais de 4 mil páginas, foi apresentado na última sexta-feira (27).
Principais nomes citados no relatório
Entre os nomes destacados está Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como o principal articulador do esquema. Também foram indiciados sua esposa e filho, Tânia Carvalho dos Santos e Romeu Carvalho Antunes, respectivamente. O empresário Maurício Camisotti foi citado como operador e intermediário.
O relatório também menciona ex-ministros da Previdência, como José Carlos Oliveira e Carlos Lupi, além de ex-presidentes do INSS, incluindo Alessandro Antônio Stefanutto, Leonardo Rolim e Glauco André Fonseca Wamburg. Ex-dirigentes do órgão, servidores e o ex-procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e sua esposa, Thaísa Hoffmann Jonasson, também estão na lista.
Figuras como o ex-diretor-presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção, e executivos de instituições financeiras como o Banco Master e o Banco C6 Consignado S.A. também foram incluídos nos pedidos de indiciamento.
Parlamentares e familiares na mira da CPMI
O documento pede o indiciamento do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e dos deputados federais Gorete Pereira (MDB-CE) e Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), além do deputado estadual do Maranhão Edson Cunha de Araújo (PSB-MA).
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), também solicitou o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o relatório, ele teria recebido repasses do “careca do INSS” por meio da empresária Roberta Luchsinger, que também foi indiciada.
Crimes investigados e defesas
Os indiciamentos são relacionados a crimes como advocacia administrativa, desobediência, prevaricação, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, fraude eletrônica, furto mediante fraude, e outros.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva classificou o pedido de indiciamento como politicamente motivado e sem base probatória. A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que não há elementos de materialidade para o indiciamento e que a CPMI foi “transformada em picadeiro”. A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes optou por não se manifestar.
O ex-ministro Carlos Lupi declarou que aguardará a votação do relatório. Para que os indiciados se tornem réus, é necessária a denúncia pelo Ministério Público e a aceitação judicial.
Com informações da Agência Brasil





