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Nobel de Economia impulsiona capacitação de servidores públicos no Brasil com foco em políticas baseadas em evidências

A economista francesa Esther Duflo, laureada com o Prêmio Nobel de Economia em 2019, destacou a importância de métodos de avaliação rigorosos para aprimorar políticas públicas durante uma aula magna em Brasília. A iniciativa visa capacitar servidores públicos brasileiros na análise contínua dos resultados de programas governamentais, uma abordagem já aplicada com sucesso em diversos países.


Método Nobel para políticas públicas

O trabalho de Duflo, que rendeu o Nobel, baseia-se em avaliações controladas aleatórias, comparando o impacto de intervenções em grupos específicos com um grupo de controle. Essa metodologia permite identificar com precisão o que funciona e o que precisa ser ajustado, combatendo a ignorância, ideologia e inércia que frequentemente obstaculizam a gestão pública.


Um exemplo notório é o programa Ensino no Nível Certo (Teaching at the Right Level), que agrupa crianças por conhecimento em vez de idade. Apesar de enfrentar resistências iniciais, sua eficácia foi comprovada por meio de avaliações, levando à sua expansão global e também ao Brasil, em parceria com o J-PAL (Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel).

Capacitação e novas parcerias no Brasil

A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) formalizou um convênio com a Fundação Lemann e a Universidade de Zurique para oferecer capacitação a servidores públicos. A parceria, associada ao J-PAL, permitirá o desenvolvimento de habilidades em avaliação de políticas públicas, utilizando evidências científicas para reduzir a pobreza e otimizar o uso de recursos.

O convênio oferece diversas oportunidades, incluindo bolsas para cursos online (Micromasters em Economia de Dados e Design de Políticas Públicas), mestrado na Universidade de Zurique, e posições de doutorado e pesquisa. A iniciativa busca promover uma gestão pública mais eficiente e orientada por dados concretos.

Evidências em ação no Brasil

Durante a aula magna, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, ressaltou a importância do uso de dados para a formulação de políticas eficazes. Ela citou a eliminação da fome no Brasil, após o redesenho do Bolsa Família, como um exemplo de sucesso na aplicação de políticas baseadas em evidências.

Outras experiências brasileiras foram mencionadas, como o uso de inteligência artificial na educação pública no Espírito Santo, onde a plataforma Letrus aprimora a escrita dos alunos com feedback imediato. A expansão desse programa para 100 mil estudantes demonstra o potencial de tecnologias inovadoras quando aliadas a avaliações de impacto.

A ministra também destacou o programa Dignidade Menstrual, cujos ajustes foram feitos com base em feedback da população e análise de dados, reforçando a importância da escuta ativa e do monitoramento para a efetividade do gasto público. A colaboração com pesquisadores e prefeitos em sessões de informação sobre desenvolvimento infantil e conformidade tributária também resultou em um aumento significativo na adoção dessas políticas em municípios.

Com informações da Agência Brasil