Início Economia Atividade industrial em janeiro sobe, mas não apaga perdas acumuladas em 2023

Atividade industrial em janeiro sobe, mas não apaga perdas acumuladas em 2023

A atividade industrial brasileira registrou um crescimento em janeiro, impulsionada pelo retorno da produção após o período de férias coletivas em dezembro. No entanto, essa alta mensal não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas no final do ano anterior, segundo análise de André Macedo, gerente de pesquisa do IBGE.


Recuperação mensal e impactos do passado

Apesar do resultado positivo em janeiro, que foi disseminado entre as grandes categorias econômicas, o gerente avaliou que “o passado recente de perdas” ainda não foi eliminado. Em janeiro, a atividade industrial apresentou queda em seis setores, com destaque negativo para máquinas e equipamentos (-6,7%).


A retração no setor de máquinas e equipamentos, segundo Macedo, está ligada ao aumento das taxas de juros. A política monetária de juros elevados encarece o acesso a empréstimos e crédito, impactando diretamente o investimento em bens de capital para fins industriais e agrícolas.

Comparação anual e de longo prazo

Na comparação com janeiro de 2025, a indústria registrou um crescimento tímido de 0,2%. Embora positivo e interrompendo uma trajetória de quedas, este percentual ainda mostra um predomínio de taxas negativas em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 17 dos 25 ramos pesquisados.

O desempenho anual foi influenciado por uma menor quantidade de dias úteis em janeiro deste ano e por uma base de comparação mais elevada em 2025, quando a indústria nacional havia crescido 1,3%.

Em uma visão de longo prazo, a indústria apresentou um crescimento de 0,5% em 12 meses. Contudo, Macedo ponderou que há uma “trajetória descendente” na intensidade desse aumento, com o resultado de janeiro de 2026 mostrando menor aceleração em comparação com dezembro de 2024 e janeiro de 2025.

Cenário futuro de incertezas

Para o futuro, André Macedo alerta para um cenário de incertezas na economia nacional. A guerra no Oriente Médio, que concentra grande parte das reservas globais de petróleo, é um fator de preocupação.

“Eventos externos [como a guerra] que prejudiquem o comércio internacional, elevem os custos ou reduzam a oferta de matérias-primas podem gerar impactos negativos na indústria e na economia como um todo”, explicou o gerente.

Com informações da Agência Brasil