
O Comitê Técnico-Científico do Governo do Amazonas (CTC/AM) reforçou seu compromisso com o monitoramento climático e a prevenção de impactos no estado. Em sua 13ª Reunião Ordinária, realizada na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), especialistas se reuniram para avaliar o cenário atual das chuvas, a cheia dos rios e as projeções climáticas para os próximos meses.
O professor e doutor em meteorologia Francis Wagner Silva Correia, coordenador do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apresentou análises que indicam uma transição do fenômeno La Niña para o El Niño no Pacífico Tropical a partir de julho de 2026. A atuação do CTC/AM é crucial para que gestores públicos possam se antecipar a possíveis mudanças no regime de chuvas da bacia amazônica.
“É de fundamental importância essas informações do prognóstico hidrológico e climático feito pelo Labclim para que o comitê possa orientar os gestores e tomadores de decisão em antecipar as ações para minimizar e mitigar os impactos, associados com a enchente deste ano no estado do Amazonas”, explicou o Dr. Francis.
Dados do Labclim revelam que o Amazonas registrou chuvas 10% acima da média histórica em dezembro de 2025, e 10,5% superior ao normal em janeiro de 2026, com uma redução de 7,4% em fevereiro. A tendência de volumes elevados de chuva deve se manter em março e abril, ainda sob influência da La Niña.
Em relação ao comportamento dos rios, a projeção para a cheia em Manaus indica um cenário acentuado, porém dentro dos padrões históricos. O Rio Negro deve atingir 29,50 metros em julho, um nível inferior ao pico histórico de 30,2 metros registrado em 2021.
O tenente do Corpo de Bombeiros Charlis Barroso da Rocha, da Defesa Civil do Estado, apresentou dados atualizados de monitoramento meteorológico e hidrológico, destacando a existência de um sistema estruturado de alertas e acompanhamento permanente no Amazonas.
Em Boca do Acre, 26.460 pessoas foram afetadas, com uma cota prevista para 2026 de 19,56 metros, abaixo da máxima histórica de 21,04 metros (1996). Em Eirunepé, 8.045 pessoas foram impactadas, com o rio em 16,89 metros, próximo da máxima histórica de 17,32 metros (2021). O acompanhamento contínuo é essencial para a organização de ações de prevenção e resposta.
Criado pelo Decreto nº 49.766, de 5 de julho de 2024, o CTC/AM é um órgão colegiado que reúne especialistas para assessorar o Comitê de Enfrentamento à Estiagem e Eventos Climáticos e Ambientais no estado. Desde sua criação, o comitê realizou 13 reuniões ordinárias e elaborou cinco pareceres técnicos com 97 recomendações, todas encaminhadas e acatadas pelo comitê gestor.
Com informações da Agência Amazonas





