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Sobreviventes de tragédia em Juiz de Fora criticam falha no sistema de alertas da Defesa Civil

Falha na comunicação e falta de plano de ação são pontos cruciais apontados por sobreviventes e especialistas após chuvas extremas em Juiz de Fora.

Um plano de emergência que inclua orientações claras sobre para onde a população deve se dirigir em caso de chuvas fortes é uma necessidade urgente em Juiz de Fora. A avaliação é de sobreviventes da recente tragédia que atingiu a cidade e de especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). As chuvas extremas já causaram mais de 60 mortes e deixaram milhares de desabrigados e desalojados.


Relatos de sobreviventes e a ausência de alertas

No Jardim Parque Burnier, um dos bairros mais afetados, com mais de 20 mortos, relatos como o do pedreiro Danilo Frates destacam a falta de comunicação.


“Não teve aviso, não teve sirene para alertar, não teve”, afirmou Frates, que só percebeu o deslizamento ao ver poeira no ar. Ele acredita que alertas e orientações prévias poderiam ter salvado mais vidas.

Análise de especialistas aponta para aprimoramento do sistema

Miguel Felippe, professor do Departamento de Geociências da UFJF, ressalta que, apesar de existir um mapa de risco e um sistema de alerta, a comunicação com a população precisa ser aprimorada.

“É preciso ir a campo, conversar com as pessoas, instruir, ter um plano de contingência muito claro”, recomendou Felippe. Jordan de Souza, professor da Faculdade de Engenharia da UFJF, reforça a importância do sistema de alerta, comparando-o a obras de engenharia.

Prefeitura defende ações e aponta desafios na prevenção

Cidinha Louzada, secretária de Desenvolvimento Urbano e Participação Popular, explicou que a prefeitura utiliza um sistema de alerta por mensagens de celular. Ela argumentou que sirenes sonoras não são adequadas para a topografia da cidade e que o principal desafio é a resistência de moradores em deixar suas casas, mesmo em áreas de risco.

“A pessoa pensa assim: ‘eu já moro aqui há 40 anos, nunca aconteceu nada'”, disse a secretária, citando casos de pessoas que preferem arriscar a sair de suas residências.

Louzada também informou que Juiz de Fora é a nona cidade do país em risco de desastre geológico e que a prefeitura oferece auxílio moradia, que teve o valor reajustado para R$ 1,2 mil. A cidade aguarda a entrega de 278 unidades do programa federal Minha Casa, Minha Vida.

A prefeitura detalhou que obras de contenção e prevenção estão em andamento ou em fase de contratação, com investimentos superiores a R$ 500 milhões. Uma das principais obras é a instalação de um pôlder no bairro Industrial para conter enchentes.

O acumulado de chuvas na cidade até 25 de fevereiro foi de 749 milímetros, o maior registrado nos últimos 30 anos, superando eventos anteriores em 1972 e 1985.

Com informações da Agência Brasil