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FMI: Bolsa Família não é impeditivo para entrada de mulheres no mercado de trabalho

Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) desmistifica a ideia de que programas de transferência de renda como o Bolsa Família afastam as mulheres do mercado de trabalho. Segundo a análise, o programa social brasileiro, que visa combater a pobreza extrema e complementar a renda familiar, não é o fator determinante para a não inserção feminina na economia formal. As principais barreiras apontadas são a disparidade salarial em relação aos homens e a sobrecarga de responsabilidades com o trabalho de cuidado não remunerado.


Economia do Cuidado e Desigualdade de Gênero

No Brasil, a carga de trabalho de cuidado não remunerado é significativamente maior para as mulheres. Um estudo de 2025, fruto da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelou que elas dedicam em média 9,8 horas a mais por semana do que os homens a essas tarefas. Essa desigualdade é ainda mais acentuada entre mulheres negras, que chegam a dedicar 22,4 horas semanais.


A pesquisa “Políticas para a Corresponsabilidade no Mundo do Trabalho” também destacou que 50% das mulheres deixam o mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho, enquanto os homens, nesse mesmo período, tendem a aumentar seus rendimentos. Para enfrentar essa realidade, o estudo propõe políticas integradas que assegurem o direito ao cuidado, ampliem serviços públicos de cuidados e incentivem a corresponsabilidade entre gêneros.

Aumento do Bolsa Família e Inserção no Trabalho

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 2025, analisou o impacto do aumento do valor mínimo do Bolsa Família, instituído desde 2023. A pesquisa “O efeito do aumento no valor das transferências de renda sobre a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho” constatou que a elevação do benefício não levou os trabalhadores a migrarem de empregos formais para informais. O principal motivo apontado por 34,4% dos participantes para abandonar a força de trabalho foi a necessidade de cuidar de afazeres domésticos ou de familiares.

Disparidade Salarial e Propostas do FMI

O estudo do FMI, divulgado recentemente, reforça que as mulheres recebem, em média, salários mensais 22% inferiores aos dos homens, mesmo considerando fatores como escolaridade, idade, raça, setor e cargo. Essa disparidade salarial, segundo os especialistas, pode levar mulheres, beneficiárias ou não do Bolsa Família, a optarem por permanecer em casa para cuidar dos filhos em vez de ingressar no mercado de trabalho.

Para mitigar essa desigualdade, o Fundo Monetário Internacional sugere a ampliação do acesso a creches e serviços de assistência a idosos, ajustes na política de licença parental e a aplicação efetiva da Lei da Igualdade Salarial. Essas medidas, em conjunto, poderiam criar um ambiente mais propício para a participação feminina na economia e impulsionar o potencial econômico do Brasil.

Com informações da Agência Gov