Início Cultura Grande Rio leva o Manguebeat para a Sapucaí em busca do bicampeonato

Grande Rio leva o Manguebeat para a Sapucaí em busca do bicampeonato


A Acadêmicos do Grande Rio levará para a Marquês de Sapucaí a celebração do Manguebeat, movimento cultural que revolucionou a cena musical de Recife nos anos 1990. A escola busca o bicampeonato com um desfile que promete homenagear a riqueza e a resistência expressas pela fusão de guitarras do heavy metal e reggae com tambores do maracatu, coco e ciranda.


O Manguebeat surgiu a partir da metáfora da lama dos manguezais, simbolizando a criatividade e a força das periferias. O manifesto “Caranguejos com cérebro” (1992), escrito por Fred Zero Quatro, vocalista da Mundo Livre S/A, pregava a injeção de energia na cidade para revitalizar seus cidadãos.


A inspiração para o enredo veio do carnavalesco Antônio Gonzaga, que, influenciado pelo pai e fã de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, viu no movimento uma oportunidade única para um desfile. “Acho estranho que isso não tenha acontecido ainda”, comentou Gonzaga em entrevista à TV Brasil.

Gonzaga destacou as semelhanças geográficas e sociais entre Duque de Caxias, onde a escola está sediada, e a região de origem do Manguebeat, ambas cercadas por manguezais e marcadas por movimentos de periferia. “Fazer esse paralelo com os movimentos de periferia da baixada fluminense acho que foi o pulo do gato para fazer esse enredo dar certo”, explicou.

O desfile contará com seis setores, cinco carros alegóricos e três tripés, com fantasias e alegorias que representarão a capital pernambucana. Pelo menos 270 ritmistas, sob o comando do Mestre Fafá, executarão um arranjo inspirado nas inovações do Manguebeat, com referências ao frevo, maracatu e às “viagens” musicais de Chico Science.

A fantasia da bateria, por exemplo, homenageará o bloco afro Lamento Negro, um dos fundados por Chico Science. A letra do samba-enredo, assinada por Ailson Picanço e outros compositores, reforça a identidade cultural entre os habitantes dos mangues de Recife e das margens sociais da baixada fluminense, com versos como “Eu também sou caranguejo à beira do igarapé / Gabiru trabalha cedo, cata o lixo da maré.”

A Grande Rio será a penúltima escola a desfilar na terça-feira, 17 de fevereiro, último dia do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro.

Com informações da Agência Brasil