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Espírito Santo se consolida como 2º maior produtor de petróleo do Brasil impulsionado pelo Campo de Jubarte


O Espírito Santo reafirma sua posição como o segundo maior produtor de petróleo do Brasil, impulsionado principalmente pelo Campo de Jubarte. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), o Campo de Jubarte é responsável por 77,3% da produção estadual e registrou um expressivo aumento de 32,8% em sua produção entre 2024 e 2025. Operado exclusivamente pela Petrobras, o campo está localizado a aproximadamente 76 quilômetros do Pontal de Ubu, em Anchieta, no litoral sul capixaba.


Entrada em operação do FPSO Maria Quitéria impulsiona produção

A elevação da produção em Jubarte foi significativamente influenciada pela entrada em operação do navio-plataforma FPSO Maria Quitéria. Essa unidade flutuante, com capacidade para produzir 100 mil barris de petróleo e processar 5 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente, iniciou suas operações em outubro de 2024. Ao final de 2025, Jubarte, com poços tanto no pós-sal quanto no pré-sal, já figurava como o quinto maior campo produtor do país, com uma média de 152 mil barris por dia.


O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) destaca que os números de produção evidenciam a importância estratégica de Jubarte e o alto grau de concentração produtiva no estado. O centro de pesquisa ressalta, ainda, o protagonismo dos investimentos da Petrobras na exploração e produção, visando ampliar os ganhos energéticos nacionais e fortalecer a arrecadação do Espírito Santo e dos municípios vizinhos. Essa movimentação tende a impulsionar a cadeia de fornecedores e serviços, gerando efeitos positivos na economia regional e reafirmando o papel da Petrobras como indutora de desenvolvimento.

Histórico e projeções de crescimento

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) relembra que o estado manteve a segunda colocação nacional de forma consistente entre 2007 e 2018, sendo superado por São Paulo entre 2019 e 2024. A Findes projeta um crescimento ainda maior na produção de petróleo nos próximos meses, com a retomada das atividades do FPSO Maria Quitéria, que interrompeu operações temporariamente para reparos programados em seu gasoduto de exportação. A expectativa é que a unidade retorne à operação ainda este mês.

Paulo Baraona, presidente da Findes, aponta que o segmento de petróleo teve um papel decisivo no crescimento da produção industrial capixaba em 2025. No ano anterior, o Espírito Santo foi o estado com o maior crescimento da produção industrial (11,6%), superando a média nacional (0,6%), segundo o IBGE. “Esses resultados mostram a posição estratégica do Espírito Santo na economia brasileira e no mapa energético nacional”, afirmou.

Cadeia produtiva e geração de empregos

A cadeia produtiva do setor de petróleo e gás é um importante motor de oportunidades no Espírito Santo, com mais de 600 empresas em operação e cerca de 15 mil trabalhadores formais empregados, com remuneração acima da média nacional. “Os projetos impulsionam empregos, renda e dinamizam a economia regional. Olhando para os próximos anos, estamos trabalhando para trazer novas oportunidades de investimentos que já se desenham para o setor no Espírito Santo e no Brasil”, declarou Baraona.

Cautela e necessidade de investimentos

Apesar dos resultados positivos, trabalhadores da indústria do petróleo pedem cautela. Etory Sperandio, diretor de comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (SindipetroES), ressalta que a produção capixaba ainda está aquém de patamares anteriores, como em 2021, quando o estado produzia mais de 210 mil barris diários, e em 2016, quando se aproximou de 394 mil barris por dia. Ele aponta que a produção está concentrada em um trecho da Bacia de Campos ligado ao estado, mas cobra investimentos na Bacia do Espírito Santo, no litoral norte, onde a produção reduziu significativamente.

Sperandio avalia que campos privatizados perderam o investimento necessário para novas descobertas, com as empresas compradoras focando apenas em sua produção atual. “Esses campos que foram privatizados perderam o investimento, as empresas que compraram apenas focaram em sua produção e não fazem novas descobertas”, disse.

Com informações da Agência Brasil