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Imersão na Fiocruz inspira meninas a seguir carreiras científicas


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem realizado, desde 2020, um programa de imersão de verão que tem se mostrado fundamental para despertar o interesse de estudantes do ensino médio, especialmente meninas, por carreiras científicas. A iniciativa visa combater a desigualdade de gênero em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), historicamente dominadas por homens, data celebrada internacionalmente em 11 de fevereiro.


A imersão, que em sua edição deste ano reuniu 150 alunas de diversas localidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, oferece três dias de contato direto com pesquisadoras e com o ambiente de trabalho científico. As estudantes visitam laboratórios, conhecem o trabalho de conservação do patrimônio histórico da Fiocruz e até mesmo a redação de publicações científicas, desmistificando a ideia de que a ciência é um campo restrito a gênios.


O papel da mentoria e da representatividade

Experiências como a de Raíssa Cristine de Medeiros Ferreira e Beatriz Antônio da Silva, ambas com 17 anos, demonstram o impacto da imersão. Raíssa participou pela primeira vez em 2025 e repetiu a dose este ano, levando uma amiga. Beatriz foi incentivada por uma professora de física que atua em um projeto para estimular a entrada de meninas negras na área. “Ela é uma boa contadora de histórias. E ela sempre falava como foi difícil, porque ela era uma das únicas mulheres na sala da faculdade, e foi negligenciada e sempre sofreu muito preconceito. Então, ela quer abrir portas para a gente”, relata Beatriz.

Beatriz Duqueviz, analista de gestão em saúde pública e coordenadora do Programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz, destaca a importância histórica da fundação em pensar em programas como este. “A Fiocruz é uma instituição centenária, e só se pensou nesse programa na gestão da Nísia Trindade. Então, a importância de mulheres ocuparem esse espaço é pela diversidade, mas também pela sensibilidade e pela luta.” O programa atua em três frentes: reconhecimento e valorização das cientistas, pesquisas sobre gênero e estímulo ao interesse pela ciência entre meninas, que, segundo Duqueviz, são desestimuladas desde a infância e, muitas vezes, precisam conciliar estudos com trabalhos domésticos.

Desmistificando estereótipos e ampliando horizontes

Duane de Souza, 17 anos, que já tem o desejo de cursar biologia, buscou na imersão uma forma de direcionar seus estudos. “Antes, eu achava que fazer pesquisa era uma coisa muito complicada, mas aqui eu percebi que não é exatamente assim”, conta. A co-editora chefe da revista Cadernos de Saúde Pública, Luciana Dias de Lima, reforça que a ciência é um esforço coletivo e multidisciplinar, e que mulheres enfrentam desafios adicionais para alcançar postos mais altos, muitas vezes por terem que dividir o tempo com responsabilidades familiares.

Sulamita do Nascimento Morais, 17 anos, que antes não conhecia a área de tecnologia, agora almeja estudar ciência da computação. “Infelizmente, na nossa sociedade, ainda tem esse tabu de que tecnologia é mais coisa de menino. Então, através desses projetos e da imersão, eu pude ver que dá, sim, pra você seguir esses trabalhos, se impor e ter voz sendo mulher.” A imersão busca mostrar que a ciência real exige curiosidade e disciplina, e não necessariamente um talento inato, incentivando as jovens a ampliarem sua compreensão sobre as carreiras científicas.

Com informações da Agência Brasil