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Famílias brasileiras mergulham em dívidas, mas conseguem pagar contas atrasadas com mais facilidade


O que você precisa saber:

  • Cresce o número de famílias com dívidas no Brasil, atingindo um patamar preocupante.
  • Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência registra queda pelo terceiro mês consecutivo.
  • Juros elevados e a taxa Selic em alta dificultam o pagamento das contas e apertam o orçamento familiar.

Aumenta o endividamento familiar no país

O percentual de famílias brasileiras com dívidas alcançou um novo patamar, evidenciando um cenário de maior comprometimento financeiro. O cartão de crédito se destaca como a principal modalidade de endividamento, seguido por outras formas como cheque especial e carnês de loja.


O levantamento, realizado com 18 mil famílias em todo o país, indica que o tempo médio para quitação das dívidas é de 7,2 meses. Além disso, cerca de 29,7% da renda familiar está comprometida com o pagamento de contas, e uma em cada cinco famílias destina mais da metade de seus rendimentos para honrar esses compromissos.


Inadimplência em queda, mas com ressalvas

Contrariando a tendência de aumento do endividamento, o índice de inadimplência registrou uma queda pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 29,3% em janeiro. Essa redução, no entanto, é desigual entre as faixas de renda, sendo mais acentuada entre os mais endinheirados.

A pesquisa aponta que a parcela de famílias com contas atrasadas é significativamente maior entre os lares com renda de até três salários mínimos (38,9%), em comparação com aqueles que recebem mais de dez salários mínimos (14,9%).

Juros altos e Selic pressionam o bolso

A alta taxa básica de juros, a Selic, mantida em 15% ao ano, é apontada como um dos principais fatores que dificultam a amortização das dívidas e apertam o orçamento familiar. Essa política monetária restritiva, utilizada para combater a inflação, encarece o crédito e desestimula o consumo e os investimentos.

A CNC projeta que o endividamento familiar deve continuar em alta no primeiro semestre de 2024. No entanto, a expectativa é de uma redução gradual da inadimplência, impulsionada pela possível queda da taxa Selic a partir de março.

Por que isso é importante?

O aumento do endividamento familiar é um sinal de alerta para a saúde financeira da população. Com uma parcela maior da renda comprometida com dívidas, as famílias têm menos margem para imprevistos, lazer e investimentos em seu futuro. A dificuldade em honrar esses compromissos pode levar a um ciclo de endividamento ainda maior, com a incidência de juros sobre juros.

A queda na inadimplência, embora positiva, não deve mascarar a realidade de que muitos brasileiros ainda lutam para manter suas contas em dia. A redução da taxa Selic, se confirmada, pode trazer um alívio, mas o impacto no bolso do consumidor leva tempo para ser sentido. É fundamental que as famílias busquem planejamento financeiro, renegociem suas dívidas e evitem novos empréstimos em um cenário de juros altos.

Com informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e análise editorial do Portal Manaus Alerta.

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