
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta sobre o aumento alarmante de casos de sarampo nas Américas. Em 2025, o continente registrou um crescimento de 32 vezes na incidência da doença, com destaque para Estados Unidos, México e Canadá, que concentram 948 notificações, representando 92% dos casos totais na região. A principal preocupação é que a grande maioria dos infectados não possui histórico de vacinação.
Nos Estados Unidos, 93% dos casos ocorreram em pessoas não vacinadas ou com histórico vacinal desconhecido. No México, esse índice foi de 91,2%, e no Canadá, 89%. A Opas considera o cenário um “sinal de alerta que requer uma ação imediata e coordenada” pelos países membros. Em novembro de 2025, o continente perdeu o certificado de região livre de transmissão do sarampo, que havia sido concedido anteriormente.
Brasil mantém vigilância e status de livre do sarampo
Apesar do aumento geral nas Américas, o Brasil registrou um número relativamente baixo de casos em 2025: 38 notificações, sendo 36 delas em pessoas sem histórico de vacinação. Em 2024, foram apenas quatro registros. O país recuperou o status de livre do sarampo em 2024, após tê-lo perdido em 2019 devido a um surto associado à baixa cobertura vacinal.
Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca que o surto em países vizinhos representa um “risco constante” para o Brasil devido à circulação de pessoas. “Voos diários do Canadá, México e Estados Unidos para cá fazem com que seja inexorável a entrada de alguém com sarampo no nosso território”, afirmou à Agência Brasil.
Para manter a condição de zona livre do sarampo, Kfouri ressalta a necessidade de “vigilância atenta, reconhecer esses casos suspeitos que entram no país e termos altas coberturas vacinais, para que esses casos que entrem não se traduzam em transmissão sustentada da doença”.
Entendendo o sarampo e a importância da vacinação
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, que pode levar a complicações graves e até à morte. Os sintomas incluem febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas na pele que se espalham pelo corpo. Complicações como cegueira, pneumonia e encefalite são possíveis.
A vacinação é a principal forma de prevenção. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), com a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas com até 59 anos que não tenham o esquema vacinal completo são orientadas a atualizar a carteira.
Dados preliminares de 2025 indicam um avanço na cobertura vacinal no Brasil, com a vacina tríplice viral aumentando de 80,7% para 93,78% em comparação com 2022. No entanto, a cobertura mínima necessária para evitar surtos é de 95%.
Ações do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde tem orientado estados e municípios a reforçar a vigilância epidemiológica, a vacinação e as ações de prevenção. Medidas como a investigação rápida de casos suspeitos e a ampliação das coberturas vacinais estão sendo implementadas. Em 2025, o Brasil intensificou a vacinação em estados fronteiriços e doou mais de 640 mil doses da vacina para a Bolívia, além de reforçar a imunização em municípios de fronteira com Argentina e Uruguai, e em cidades turísticas.
Com informações da Agência Brasil





