
A G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis está marcando um novo capítulo na história do carnaval carioca ao incorporar a tecnologia de impressão 3D em larga escala na produção de suas alegorias e fantasias para o desfile de 2026. Utilizando uma das maiores impressoras 3D do Brasil, instalada em seu barracão na Cidade do Samba, a escola busca não apenas inovar esteticamente, mas também otimizar processos e promover a sustentabilidade.
O projeto, financiado pelo presidente Almir Reis, conta com um laboratório de indústria 4.0 idealizado e desenvolvido pelo engenheiro mecânico Luiz Lolli. A iniciativa inédita no carnaval brasileiro visa produzir peças cenográficas, adereços e elementos de fantasias a partir de arquivos digitais, garantindo precisão industrial, controle técnico e repetibilidade.
Tecnologia e Vantagens da Impressão 3D
A tecnologia empregada é a FDM (Fused Deposition Modeling), onde filamentos de plástico ABS – resistente, leve e reciclável – são derretidos e depositados camada por camada para formar as peças. Essa técnica, comum em setores como automotivo e aeroespacial, permite um nível de detalhamento impressionante, reproduzindo texturas e volumes com extrema fidelidade ao projeto original, com tolerâncias de décimos de milímetro.
Uma das principais vantagens é a rapidez. Uma peça de aproximadamente 1,10 metro de altura pode ser produzida em cerca de 24 horas, um tempo significativamente menor em comparação aos métodos tradicionais de escultura e acabamento manual. Essa agilidade contribui para a eficiência geral da produção.
Impacto Econômico e Ambiental
Para o presidente Almir Reis, a impressão 3D representa o futuro do carnaval, trazendo ganhos diretos em custo e eficiência. “A gente deixa de gastar com resina, pintura, isopor, papel carne seca e uma série de acabamentos”, afirmou. Além disso, os profissionais antes dedicados a esses trabalhos manuais podem ser realocados para funções que exigem maior intervenção humana e artística.
O artista Kennedy Prata, líder da equipe de esculturas da Beija-Flor, destaca que a tecnologia é uma aliada, permitindo que os artistas se concentrem em peças maiores e mais autorais, enquanto as máquinas garantem a precisão em larga escala. Do ponto de vista ambiental, a impressão 3D representa um avanço. O processo de adição de material minimiza o desperdício, e as peças produzidas em ABS podem ser recicladas, trituradas e transformadas em novo filamento, integrando um sistema de economia circular.
Qualidade e Estética no Desfile
O carnavalesco João Vitor Araújo ressalta que o impacto da tecnologia é direto na qualidade do desfile. As peças resultantes são mais leves e o acabamento atinge um nível de precisão difícil de ser alcançado manualmente, garantindo que a estética do projeto digital chegue à avenida sem distorções.
Com informações da Agência Brasil





