
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reuniram-se com representantes das comunidades do rio Unini para discutir um Acordo de Cooperação Técnica que visa a retomada ordenada da pesca esportiva na região. O encontro, realizado na sede da Sema em Manaus, focou na construção de um modelo de governança compartilhada para a gestão sustentável das Unidades de Conservação locais.
“Essa reunião teve como objetivo o alinhamento das informações, do Acordo de Cooperação Técnica, do Plano de Trabalho, e também das comunidades, para saber se as comunidades estão de acordo com o que está acontecendo, com os trâmites, e para eles também terem ciência do andamento do processo”, explicou Cristiano Gonçalves, gestor do Núcleo de Pesca da Sema (Nupes).
A área do rio Unini abrange três importantes Unidades de Conservação: a Reserva Extrativista do Rio Unini, o Parque Nacional do Jaú e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Nessas áreas, as comunidades locais já participam ativamente da governança do território e do uso dos recursos naturais.
Hueliton Ferreira, chefe do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio em Novo Airão, destacou a importância dessa colaboração: “Nós temos uma gestão compartilhada dos recursos naturais e da governança do território também, numa participação social conjunta que organiza o uso de recursos de forma sustentável naquela região”.
A pesca esportiva é vista há décadas pelos moradores como uma atividade econômica complementar, com potencial para gerar renda e fortalecer as comunidades locais. O rio Unini teve a pesca esportiva embargada há cerca de 20 anos, devido a conflitos entre empresários e comunitários, além de preocupações com o impacto ambiental.
Em 2015, estudos do Ibama avaliaram a capacidade ambiental do rio e apresentaram recomendações para uma possível retomada da atividade. Uma das principais sugestões foi a formalização de um acordo de cooperação técnica entre Sema, ICMBio e organizações locais. O processo de construção desse acordo iniciou em 2022 e está atualmente em fase de análise jurídica.
Ítalo Nogueira, vice-presidente da Associação de Moradores do Rio Unini, ressaltou os potenciais benefícios: “O acordo pode trazer muitos benefícios voltados ao turismo. Arrecadação de lucro, benefícios para as comunidades, principalmente com a gente que trabalha só com a agricultura. Não vai tirar todo mundo da roça, mas fortalece bastante”.
O acordo em elaboração prevê a atualização do plano de trabalho e a definição conjunta de ações para a gestão da pesca esportiva, levando em conta as particularidades das Unidades de Conservação e a participação das comunidades. “A gente está nessa batalha na visão de fomentar mais o Unini, a área da reserva, e ter mais oportunidade não só de verbas para o Unini, mas de estudo, saúde e outras coisas que possam acontecer também futuramente”, completou Nogueira.
Com informações da assessoria





