
O recente caso de espancamento de um cão comunitário por adolescentes em Florianópolis reacendeu o debate sobre a violência contra animais no Brasil. Além da punição dos envolvidos e da discussão sobre a banalização da agressão, a prevenção e as medidas educativas ganham destaque como ferramentas para combater esses atos e, potencialmente, outras formas de violência.
Organizações não governamentais (ONGs) e a prefeitura de São Paulo apostam no estímulo ao contato e nos cuidados com animais como forma de prevenir e interromper ciclos de violência. A Teoria do Elo sugere que a violência contra animais pode ser um reflexo de outras agressões sofridas pelo indivíduo e um indicador de risco para violências contra grupos vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos.
Educação humanitária e empatia
A diretora de relações institucionais da Ampara Animal, Rosângela Gerbara, destaca a importância da “educação humanitária em bem-estar animal”, especialmente voltada para crianças e adolescentes. Segundo ela, essa abordagem visa criar uma sociedade mais empática, com menos violência e maior respeito.
A aproximação com animais deve ser gradual, ensinando a gentileza, o respeito ao tempo e ao comportamento de cada espécie. A interação ajuda a criança a entender os sentimentos e necessidades do outro, desenvolvendo empatia e reduzindo comportamentos de violência e intolerância.
Percepção de senciência e responsabilidade
Viviane Pancheri, voluntária da ONG Toca Segura, ressalta a importância de as crianças perceberem que os animais são seres sencientes, que sentem medo, abandono e felicidade. O trabalho em escolas e no abrigo busca desenvolver a “educação empática”, mostrando como o cuidado e a atenção são fundamentais.
Pequenos eventos, como domingos de passeio com animais resgatados, auxiliam na socialização dos bichos e na interação com crianças. Para adolescentes, a responsabilidade é trabalhada de forma supervisionada, incentivando ações como alimentar animais de rua e elogiando boas atitudes, o que contribui para a formação de um ser humano melhor.
Programas públicos de adoção e educação
A prefeitura de São Paulo, por meio de seu centro de adoções, promove a guarda responsável e a educação ambiental. Grupos escolares visitam o espaço, onde o contato com os animais é mediado para criar consciência. As crianças atuam como multiplicadoras de informações em seus lares e comunidades.
O programa “Superguardiões” e o “Leituras”, que incentiva crianças a lerem para cães e gatos, visam sensibilizar e educar para práticas sustentáveis. Essas ações facilitam a adoção, tornam os animais mais dóceis e acostumam-nos com visitas.
Regras de ouro para adoção
Especialistas como Telma Tavares e Viviane Pancheri sugerem regras para uma adoção consciente:
- Verificar se todos os membros da família concordam e estão cientes das responsabilidades.
- Avaliar realisticamente as condições de cuidado, incluindo tempo e adaptação da rotina.
- Refletir se o planejamento de vida familiar se adequa à chegada de um animal.
- Planejar para garantir cuidados adequados e evitar o abandono.
Com informações da Agência Brasil





