
Janeiro deste ano apresentou um número atípico de focos de calor, atingindo 4.347 detecções pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este dado representa o dobro da média histórica para o mês e um aumento de 46% em comparação com o mesmo período de 2025. O índice coloca o mês como o sexto com maior registro desde o início do levantamento em 1999 e o segundo na década, atrás apenas de janeiro de 2024.
A concentração de focos de calor tem sido observada em estados que enfrentam condições de seca, como Pará, Maranhão, Ceará e Piauí. O Pará registrou o maior número de focos, com 985, em um cenário de seca, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). A situação é particularmente preocupante no Maranhão, que já acumula o maior número de focos de calor do estado desde o início da série histórica em 2026, superando o recorde anterior de 2019.
Seca agrava cenário de queimadas
A persistência de um quadro acentuado de seca no Nordeste e chuvas abaixo da normalidade na Região Norte são fatores determinantes para o aumento dos focos de calor. No Maranhão, todo o território está sob efeito de secas, enquanto Ceará e Piauí enfrentam a escassez hídrica de forma contínua desde o inverno de 2023.
Embora a quantidade de focos de calor não seja a única métrica para medir incêndios, ela serve como um importante indicador para políticas de prevenção e combate. Historicamente, anos com inícios de janeiro mais intensos em focos de calor tendem a apresentar um total anual acima da média, que é de 200 mil registros.
Estados analisam dados com cautela
As secretarias de meio ambiente do Pará e do Ceará, estados com maior incidência de focos de calor, pediram cautela na análise de dados de períodos curtos. O Pará destacou que recortes temporais reduzidos podem refletir ocorrências concentradas e não permitem antecipar uma tendência anual consolidada, mas reafirmou o compromisso em adotar medidas de enfrentamento às queimadas.
O Ceará associou o alto número de focos em janeiro ao cenário de dezembro de 2025, que já havia registrado um pico em 20 anos. A secretaria cearense também ressaltou que focos de calor podem ter outras origens além de incêndios em vegetação.
O Governo do Maranhão informou a intensificação de ações preventivas e de combate, incluindo campanhas educativas, doação de equipamentos e fiscalização com drones. A secretaria estadual atribuiu o aumento dos focos à severa estiagem, que cria condições favoráveis para a propagação do fogo, apesar dos esforços.
Com informações da Agência Brasil





