
O consumo de café no Brasil registrou uma leve queda de 2,31% em 2025, impactado pela persistência de preços elevados da matéria-prima. No entanto, o setor da indústria de café viu seu faturamento crescer expressivos 25,6% no mesmo período, alcançando R$ 46,24 bilhões. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), esse cenário contraditório demonstra a resiliência do café para o consumidor brasileiro, que não abre mão da bebida, mesmo diante de aumentos significativos nos últimos anos.
Apesar da redução no volume consumido, o Brasil consolida sua posição como o segundo maior mercado de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Em termos de consumo per capita, o país lidera, com uma média de 1,4 mil xícaras por brasileiro anualmente. A elevação do faturamento da indústria é atribuída, principalmente, ao aumento dos preços praticados nas gôndolas, refletindo os custos da matéria-prima.
Expectativas para 2026 e o futuro dos preços
A Abic projeta um cenário de maior estabilidade para os preços do café em 2026, com a expectativa de uma safra robusta. Contudo, uma redução significativa nos valores pagos pelo consumidor só é esperada daqui a duas safras, devido aos estoques globais historicamente baixos. A entidade aposta em promoções para estimular o consumo enquanto a oferta se normaliza.
“Os estoques globais nos países produtores para os consumidores são historicamente baixos. Então, quando essa safra chegar [com expectativa de boa florada], se ela der realmente o número que se espera e com algum conforto, teremos menor volatilidade [nos preços]”, avalia Pavel, presidente da Abic. Ele acrescenta que a redução substancial nos preços dependerá de pelo menos duas safras consistentes para recompor os estoques globais.
Tarifas e acordos internacionais no radar
A cadeia produtiva do café continua em negociações para a redução das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao café solúvel. Embora a tarifa sobre o café em grão tenha sido suspensa em novembro do ano passado, o café solúvel ainda é taxado em 40%, uma questão que a Abic espera ver resolvida em poucos meses.
Por outro lado, a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa uma perspectiva positiva para o setor cafeeiro brasileiro. Sendo o Brasil o maior produtor mundial de café, respondendo por 40% da produção global, o acordo abre novas e importantes oportunidades para a indústria nacional no mercado europeu.
Com informações da Agência Brasil





