
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (28), gerou forte repercussão negativa entre representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais. Os setores criticam o patamar elevado dos juros, apontando que ele impõe um custo alto à economia e prejudica o crescimento, o acesso ao crédito e a geração de empregos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a manutenção da Selic em nível insustentável desconsidera a desaceleração recente da inflação e defende o início de um ciclo de flexibilização monetária. Segundo a entidade, a inflação corrente e as expectativas inflacionárias estão convergindo para o centro da meta, mas a taxa real de juros permanece significativamente acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central.
Impactos no Setor Produtivo
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a decisão do Copom prejudica a economia e aprofunda a desaceleração do crescimento, sendo indispensável o início da redução dos juros já na próxima reunião. O setor da construção civil, representado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), também manifestou preocupação. O presidente da CBIC, Renato Correia, destacou que juros elevados restringem o crédito imobiliário, diminuem a demanda por novos empreendimentos e dificultam a viabilização de projetos, afetando toda a cadeia produtiva.
Visão Moderada e Reações Sindicais
Em um tom mais moderado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avaliou que a decisão reflete cautela diante de incertezas fiscais e externas. O economista Ulisses Ruiz de Gamboa ressaltou que, apesar da desaceleração da atividade, inflação e expectativas ainda se mantêm acima da meta, e o comunicado do Copom será decisivo para sinalizar o início do ciclo de cortes.
Por outro lado, as centrais sindicais reagiram de forma mais contundente. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) criticou a manutenção da Selic, afirmando que ela mantém o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais e penaliza a população, encarecendo o crédito, reduzindo o consumo e, consequentemente, os empregos. A Força Sindical classificou a decisão como “irresponsabilidade social”, acusando o Banco Central de favorecer a especulação financeira em detrimento do setor produtivo e de restringir o crédito, elevando o endividamento das famílias.
Contexto da Decisão
Apesar das críticas generalizadas, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. A decisão alinhou-se à expectativa da maioria dos analistas de mercado, em um cenário marcado por inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos.
Com informações da Agência Brasil





