
A regulação das plataformas de vídeo sob demanda (VOD) foi definida como a principal urgência do setor audiovisual brasileiro durante o Quarto Fórum de Tiradentes. O consenso foi formalizado na Carta de Tiradentes, documento que sintetiza as diretrizes prioritárias e os debates ocorridos na Mostra de Cinema de Tiradentes. A carta, resultado de quatro dias de discussões com profissionais, representantes do poder público e agentes culturais, destaca a necessidade de avançar rapidamente nesta pauta.
Raquel Hallack, coordenadora-geral da Mostra de Tiradentes, ressaltou que a inclusão da regulação do VOD no topo da carta reflete uma demanda histórica e a compreensão de que a ausência dessa regulamentação fragiliza outras políticas setoriais. “A Carta de Tiradentes é fruto de um processo de escuta e de amadurecimento do setor. Ela não nasce de um único debate, mas de anos de diálogo”, afirmou Hallack, enfatizando que a carta organiza prioridades sem perder a complexidade do setor.
A Importância das Plataformas Independentes
Tatiana Carvalho Costa, coordenadora do Fórum de Tiradentes, destacou que a discussão sobre streaming avançou ao incorporar a realidade das plataformas independentes brasileiras. Ela explicou que a regulamentação deve contemplar como essas plataformas podem se inserir nesse novo cenário, considerando o pacto federativo e as políticas públicas existentes.
Costa enfatizou o papel estratégico das plataformas independentes na circulação do cinema brasileiro. “Essas plataformas são as guardiãs do cinema brasileiro independente. Elas são uma vitrine fundamental para o curta-metragem, para filmes que passam por Tiradentes e para a formação de públicos diversos”, declarou, defendendo uma coalizão em torno delas.
Formação e Propostas para o Futuro
Além da regulação do VOD, a Carta de Tiradentes reafirma a urgência na votação de projetos de lei sobre streaming no Congresso Nacional, a defesa da propriedade intelectual, o fortalecimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), a descentralização das políticas públicas e a integração do cinema à educação.
Débora Ivanov, produtora e também coordenadora do Fórum, apontou que o evento se consolida como um espaço de formação política e institucional para o setor. “O fórum também colabora com a formação das novas gerações, para que elas tenham uma atuação propositiva na construção do futuro do audiovisual”, disse Ivanov.
Raquel Hallack concluiu que a carta serve como um instrumento de pressão e proposição, “apontando para o futuro que o setor quer construir, e que precisa começar agora”.
Com informações da Agência Brasil





