
O Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, testemunha um marco na conservação da biodiversidade com a primeira soltura de araras-canindés em seu habitat. A iniciativa, parte do projeto Refauna, visa reintroduzir a espécie, que havia desaparecido do estado do Rio de Janeiro, promovendo a restauração ecológica da Mata Atlântica. O sucesso do projeto depende não apenas da infraestrutura e do cuidado com os animais, mas também do engajamento da população local e de visitantes.
Ciência Cidadã e Tecnologia no Monitoramento das Aves
A participação da comunidade é fundamental para o monitoramento das araras recém-soltas. Iniciativas como o programa Ciência Cidadã incentivam os moradores e turistas a reportarem avistamentos, utilizando ferramentas como o aplicativo SISS-Geo, desenvolvido pela Fiocruz. Este aplicativo gratuito permite o registro de fauna silvestre por meio de fotos e informações, auxiliando os pesquisadores a acompanhar a movimentação e o estabelecimento dos animais na região. A colaboração da população é vista como um componente vital para a eficácia do projeto de reintrodução.
Educação Ambiental e a Importância da Conduta Responsável
A chefe do Parque Nacional da Tijuca, Viviane Lasmar, destaca a relevância da educação ambiental para quem vive no entorno ou visita as áreas de conservação. Cursos de formação para guias de turismo estão sendo desenvolvidos para capacitá-los a orientar os visitantes sobre a interação correta com a fauna. A meta é desmistificar o contato com os animais, ensinando que não se deve alimentá-los ou perturbá-los. Essa abordagem visa diminuir a “ignorância ambiental” e promover uma convivência harmoniosa, reforçando o papel do parque como um santuário para a biodiversidade.
Um Sinal de Floresta Saudável e o Futuro da Biodiversidade
A reintrodução das araras-canindés é interpretada como um indicativo da saúde da Floresta da Tijuca e da eficácia do trabalho de conservação do ICMBio. A infraestrutura do parque tem sido adaptada para receber as aves, incluindo a construção de viveiros que podem servir de base para futuras aninhagens. Embora a arara-canindé não esteja globalmente ameaçada, sua extinção regional no Rio de Janeiro ressalta a fragilidade de ecossistemas locais. A meta do Refauna é soltar 50 indivíduos ao longo de cinco anos, com a esperança de que se estabeleçam e contribuam para a recuperação do equilíbrio ecológico.
Combate à Defaunação e a Recuperação da Mata Atlântica
O projeto Refauna tem um histórico de sucesso na reintrodução de outras espécies, como cutia-vermelha e jabuti-tinga, no Parque Nacional da Tijuca. A iniciativa aborda o desafio global da defaunação, a perda de animais que compromete a dispersão de sementes e a regeneração de florestas. A Mata Atlântica, em particular, enfrenta altos índices de espécies ameaçadas, tornando a reintrodução de animais como a arara-canindé essencial para a manutenção do funcionamento dos ecossistemas. A extinção de uma espécie desencadeia um efeito cascata, afetando todo o ciclo de vida e a saúde da floresta.
Com informações da Agência Brasil.





