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BC liquida Reag Investimentos após suspeitas de fraude milionária ligada ao Banco Master

O Banco Central (BC) determinou a liquidação da Reag Investimentos, agora denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (15), ocorre em meio a investigações sobre um esquema de fraudes financeiras que supostamente movimentou mais de R$ 11 bilhões, com conexões diretas ao Banco Master. A medida visa apurar responsabilidades e proteger o patrimônio de investidores.


Operação Compliance Zero e mandados de busca

A Reag Investimentos e seu ex-CEO, João Carlos Mansur, foram alvos de mandados de busca e apreensão executados pela Polícia Federal na quarta-feira (14). A ação faz parte da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades graves no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Segundo o BC, a liquidação foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”.


Esquema de ciranda financeira e desvio de recursos

As investigações apontam que a Reag Investimentos teria atuado como administradora de fundos fraudulentos, utilizados para dissimular a origem e o destino de vultosos recursos. O esquema funcionaria através de uma complexa ciranda financeira, onde depósitos e retiradas entre diversos fundos teriam o objetivo de ocultar o beneficiário final do dinheiro. Estima-se que o montante desviado possa ultrapassar os R$ 11 bilhões, com suspeitas de direcionamento para o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seus familiares.

Intervenção do STF e questionamentos sobre foro privilegiado

O caso, inicialmente sob a alçada da Justiça Federal, foi escalado para o Supremo Tribunal Federal (STF) devido a indícios de envolvimento de pessoas com foro privilegiado. O ministro Dias Toffoli é o relator do processo e autorizou as diligências da Polícia Federal. No entanto, o magistrado também foi alvo de questionamentos após uma viagem em avião particular com um dos advogados do caso, dias antes de determinar o sigilo absoluto dos autos.

Atuação do TCU e impacto nos fundos de investimento

Paralelamente às ações do BC e do Judiciário, o Tribunal de Contas da União (TCU) também acompanha o escândalo e avalia a possibilidade de realizar uma inspeção sobre os procedimentos que levaram à intervenção no Banco Master. A Reag Investimentos, classificada como instituição financeira do segmento S4, representa uma parcela mínima do ativo total do SFN. Com a liquidação, os cerca de 90 fundos de investimento administrados pela Reag continuarão a existir, mas precisarão encontrar novas gestoras para administrar os recursos dos cotistas.

Com informações da Agência Brasil.