
O empresariado brasileiro manifestou forte otimismo com a recente aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, um passo considerado histórico após um processo de negociação que se estendeu por um quarto de século. A chancela obtida pelo bloco europeu, que exigia o aval de 15 dos seus 27 membros representando ao menos 65% da população, abre caminho para uma nova era de relações comerciais e investimentos entre as duas regiões. Entidades representativas da indústria e do comércio destacam o potencial do acordo para impulsionar a economia brasileira, gerar empregos e aumentar a competitividade do país no cenário global.
Oportunidades e Impactos Setoriais
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a aprovação como um avanço fundamental para a inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria. Projeções da CNI indicam que a União Europeia é um destino crucial para as exportações brasileiras, com cada bilhão de reais exportado gerando milhares de empregos e movimentando centenas de milhões em massa salarial e produção. A expectativa é que o acordo intensifique as relações com países do Leste Europeu, ampliando fluxos comerciais em setores como indústria, tecnologia e consumo.
A indústria química brasileira, representada pela Abiquim, vê o acordo como um marco estratégico que ampliará o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, estimulará investimentos em inovação e impulsionará a agenda de sustentabilidade. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) projeta um aumento de 25% a 30% nas exportações do setor para a UE no médio prazo, além da diversificação de fornecedores de insumos. A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) prevê a atração de investimentos europeus e um cenário de ganha-ganha para todos os países envolvidos.
Visões Regionais e Desafios Futuros
Federações industriais estaduais também expressaram entusiasmo, embora com ressalvas pontuais. A Fiesp, apesar de reconhecer que o acordo não é perfeito, o considera o melhor possível para conciliar interesses de 31 países em um cenário comercial em transformação, enfatizando a necessidade de inovação e excelência por parte das empresas brasileiras. A Firjan aposta em um aumento significativo da corrente de comércio, novos investimentos e crescimento do PIB industrial. Já a Fiemg, embora positiva, recomenda cautela na análise dos impactos, destacando a importância de atenção aos segmentos mais sensíveis à concorrência externa e às exigências sanitárias e regulatórias.
No agronegócio, a Faesp considera o acordo um avanço importante, especialmente diante de barreiras comerciais impostas por outros países. A entidade, no entanto, ressalta a necessidade de o governo brasileiro proteger a produção nacional, citando o exemplo da cadeia do leite em pó como um ponto de atenção. A perspectiva geral é de que o acordo, após sua implementação, exigirá diálogo contínuo entre os países para maximizar os benefícios e garantir um ambiente competitivo justo para todos os setores produtivos. Com informações da Agência Brasil.





