Em meio a uma escalada de protestos no Irã, que já deixaram dezenas de mortos e centenas de detidos, o líder supremo Ali Khamenei afirmou que não cederá às demandas populares. Khamenei classificou os manifestantes como ‘vândalos e arruaceiros’ e atribuiu a responsabilidade pela instabilidade ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando-o de buscar ‘agradar’ o mandatário americano com suas ações. Os protestos, que começaram em dezembro com foco na crise econômica e na desvalorização da moeda nacional, evoluíram para um clamor direto contra o regime e a figura de Khamenei.
Crise Econômica e Pedidos de Renúncia
A insatisfação popular eclodiu inicialmente devido ao aumento da inflação, que superou 40% em dezembro, e à perda de metade do valor da moeda rial frente ao dólar no último ano. Comerciantes de Teerã foram os primeiros a sair às ruas, mas o movimento rapidamente ganhou outras pautas, com slogans pedindo a saída de Khamenei do poder e o retorno da dinastia Pahlavi, derrubada pela Revolução Islâmica de 1979. As manifestações se espalharam por ao menos 25 das 31 províncias do país.
Acusações Mútuas e Repressão
Khamenei direcionou duras críticas a Donald Trump, afirmando que as ‘mãos’ do presidente americano estão ‘manchadas com o sangue de mais de mil iranianos’. O líder supremo iraniano também aconselhou Trump a ‘cuidar do seu próprio país’. Em resposta, o presidente dos EUA ameaçou uma ação contundente caso o regime iraniano intensificasse a repressão contra os manifestantes, declarando que o país seria ‘atingido muito duramente’. A quinta-feira foi marcada como um ‘dia sangrento’ devido à forte repressão policial, e o governo ordenou um apagão na internet e nas redes telefônicas para tentar conter a divulgação de informações.
Impacto e Balanço de Vítimas
A violência durante os protestos gerou um alto número de vítimas. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores de idade, foram mortos. A quarta-feira anterior foi o dia mais letal, com 13 mortes registradas. Centenas ficaram feridas e mais de 2 mil pessoas foram detidas. A situação atual no Irã é comparada às maiores ondas de protesto desde a morte de Mahsa Amini em 2022, que também gerou grande comoção e manifestações contra as leis de vestimenta e a repressão policial.




