Brasil e Irã debatem “estreita cooperação” contra “unilateralismo” após ações dos EUA na Venezuela


O Brasil e o Irã discutiram a possibilidade de uma “estreita cooperação” após recentes ações militares na Venezuela, conforme relatado pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano. A conversa, ocorrida por telefone entre os chanceleres Mauro Vieira e Seyed Abbas Araghchi, abordou a ofensiva norte-americana em Caracas, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Segundo o comunicado iraniano, o Brasil teria classificado a ação dos EUA como uma violação da Carta das Nações Unidas.


Brasil condena intervenção e reforça defesa do direito internacional

Ainda de acordo com o Irã, os ministros das Relações Exteriores de ambos os países ressaltaram a importância da colaboração entre nações em desenvolvimento em fóruns internacionais para combater o unilateralismo e fortalecer o direito internacional. O Itamaraty, no entanto, não havia se pronunciado oficialmente sobre o teor da ligação até o fechamento desta reportagem.


A posição brasileira sobre a intervenção armada na Venezuela já havia sido manifestada publicamente. Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador Sérgio Danese condenou a ação, afirmando que o Brasil não aceita o argumento de que “os fins justificam os meios”. Ele destacou que tal raciocínio pode conceder aos mais fortes o direito de impor suas decisões, ignorando soberanias nacionais e o direito internacional.

Preocupação com precedente perigoso e defesa da autodeterminação

Danese enfatizou que o mundo multipolar do século XXI deve promover a paz e a prosperidade, e não se tornar um palco para áreas de influência. A declaração do embaixador está alinhada com a nota oficial divulgada pelo governo brasileiro, que rejeitou categoricamente a intervenção armada em território venezuelano, considerada uma flagrante violação da Carta da ONU e do direito internacional. O Brasil classificou os atos como uma afronta à soberania venezuelana e um precedente perigoso para a comunidade internacional.

A proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo em circunstâncias estritamente previstas na Carta da ONU, foi reiterada pelo embaixador brasileiro. Ele alertou que a aceitação de tais ações poderia levar a um cenário de violência, desordem e erosão do multilateralismo. A América Latina e o Caribe foram lembrados como regiões que escolheram a paz, e as consequências negativas de intervenções armadas passadas foram ressaltadas.

O Brasil defende uma solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano, com base na Constituição do país. A ação americana foi vista como algo que afeta toda a comunidade internacional, e o Conselho de Segurança foi instado a agir com determinação e clareza, obedecendo ao direito internacional, para evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei.