A Venezuela detém a impressionante marca de cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo no mundo, um volume que supera os 300 bilhões de barris e é quase quatro vezes maior que o dos Estados Unidos. Essa riqueza natural, que moldou a economia do país ao longo do século XX, transformando-o em um dos maiores produtores globais e membro fundador da Opep, encontra-se hoje em um paradoxo alarmante: um potencial colossal subaproveitado devido a uma infraestrutura precária e às crescentes sanções internacionais.
A Queda Drástica na Produção Petrolífera
O auge da produção venezuelana foi em 1970, com cerca de 3,7 milhões de barris diários. No entanto, dados recentes indicam uma queda drástica, atingindo um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021. Embora tenha havido uma leve recuperação para aproximadamente 1 milhão de barris em 2023, essa cifra representa menos de 1% da produção global. A nacionalização da indústria em 1976, com a criação da PDVSA, e a subsequente destinação de grande parte da renda petrolífera para programas sociais, em detrimento de investimentos em infraestrutura e manutenção, são fatores cruciais para esse declínio.
Sanções, PDVSA e a Relação com os EUA
A relação histórica entre Venezuela e Estados Unidos no setor petrolífero, que remonta aos anos 1920, foi profundamente afetada pelas sanções americanas. Atualmente, a Chevron é a única empresa dos EUA com permissão especial para operar no país. A PDVSA, antes motor da economia, sofreu cortes orçamentários que interromperam ciclos de manutenção e investimentos essenciais, agravando a crise de produção. Eventos como a greve de 2002, que paralisou a companhia por dois meses e resultou na demissão de milhares de funcionários, também deixaram cicatrizes profundas na gestão e operação da estatal.
Impacto Econômico e Geopolítico
A queda acentuada nas receitas do petróleo foi um dos principais catalisadores da hiperinflação na Venezuela, com aumentos de preços que chegaram a 344.510% em 2019, segundo o Banco Central. A dependência histórica do petróleo, que representou mais de 90% das exportações venezuelanas entre 1998 e 2019, torna o país extremamente vulnerável a flutuações de mercado e a pressões geopolíticas. Estima-se que as sanções lideradas pelos EUA tenham causado perdas de cerca de US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas entre 2017 e 2024. Apesar de deter uma das maiores riquezas naturais do mundo, a Venezuela figura entre as menores economias da América Latina, com seu futuro intrinsecamente ligado às dinâmicas do mercado de petróleo e às tensões internacionais.




