O que Donald Trump realmente busca ao intensificar pressão sobre Nicolás Maduro?


As recentes ações e declarações do presidente Donald Trump em relação à Venezuela, com foco em Nicolás Maduro, têm gerado especulações sobre as verdadeiras motivações por trás dessa escalada. Embora o discurso oficial mencione o combate ao narcotráfico e a restauração da democracia, analistas apontam para uma complexa teia de interesses que inclui a consolidação de um legado político e a atração de eleitores-chave, especialmente em estados como a Flórida.


Pressão contra Maduro: uma estratégia multifacetada

A retórica de Trump tem se intensificado, com declarações sobre a captura de Maduro e a realização de “ataques em larga escala à Venezuela”. Uma declaração da chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, sobre a disposição de “continuar explodindo barcos até que Maduro se renda”, fez referência direta a operações americanas contra supostos barcos venezuelanos envolvidos com o tráfico de drogas no Caribe. Essa questão, aliada à declaração do fentanil como uma arma de destruição em massa, sugere um foco inicial na agenda antidrogas.


No entanto, a hipótese de que os ataques seriam um pretexto para acesso a recursos naturais venezuelanos, como petróleo e terras raras, também ganhou força. A ordem de bloqueio a petroleiros sancionados, emitida na mesma semana da declaração sobre o fentanil, reforça essa linha de pensamento, impedindo o acesso do país sul-americano a embarcações cruciais para sua economia.

Mudança de rota e o foco em Maduro

Apesar das diversas teorias, a figura de Nicolás Maduro parece ter se tornado o centro da campanha de Trump. Diplomata aposentado e ex-embaixador, Paul Hare, sugere que a intenção inicial de Trump, ao assumir o segundo mandato, poderia ter sido negociar acordos de deportação e concessões de petróleo. Contudo, a entrevista de Wiles à Vanity Fair teria alterado essa percepção, direcionando a mira para a deposição do líder venezuelano.

A derrubada de Maduro é vista por alguns como uma tarefa potencialmente mais viável para a administração Trump do que conflitos em outras regiões, como Ucrânia e Gaza. Essa abordagem também se alinha com a estratégia de segurança nacional republicana de reafirmar a influência americana no hemisfério ocidental. Analistas como Jesus Renzullo, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais, indicam que o secretário de Estado Marco Rubio, conhecido por sua postura intervencionista e oposição a Maduro, pode ver na Venezuela uma oportunidade para estender a pressão sobre Cuba, um aliado próximo e dependente do regime venezuelano para suprimento energético.

Legado, eleitores e a busca por uma vitória pessoal

A motivação de Trump, contudo, pode transcender a defesa da democracia ou a geopolítica. Especialistas como Jim Marckwardt, tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, argumentam que a questão não se trata de petróleo ou de uma genuína preocupação com a democracia. Em vez disso, Trump estaria buscando construir seu legado, assim como tenta em outros cenários internacionais, como o conflito entre Ucrânia e Rússia. A Venezuela, por estar mais próxima geograficamente, poderia representar uma vitória mais acessível e de maior impacto para sua imagem.

Adicionalmente, a queda de popularidade de Trump nas pesquisas, especialmente entre a diáspora latino-americana – um bloco eleitoral significativo na Flórida –, sugere que a intensificação da pressão sobre Maduro pode ser uma tática para reconquistar o apoio desse segmento do eleitorado. A imagem de um líder forte e decisivo, capaz de lidar com crises internacionais, poderia ser um trunfo para sua campanha.