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Khaleda Zia, primeira mulher a chefiar o governo de Bangladesh, morre aos 80 anos; legado, rivalidade com Hasina e o impacto nas eleições

Khaleda Zia, uma das figuras mais marcantes da política de Bangladesh e a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra, morreu aos 80 anos nesta terça-feira, em Dhaka, após uma longa doença. A confirmação foi divulgada pelo BNP, o partido de oposição que liderou durante décadas, e a notícia provoca um momento de redefinição no cenário político do país, conhecido por sua alternância de poder entre forças de esquerda e de direita.


Quem foi Khaleda Zia e o legado político

Nascida no seio de uma família ligada às forças políticas, Khaleda ascendeu à liderança nacional em 1991, ao formar uma coalizão que abriu caminho para a primeira transição democrática após anos de autoritarismo. Durante seu governo, promoveu reformas que facilitaram o investimento externo e ampliaram o acesso à educação básica. Após perder a eleição de 1996, voltou ao poder em 2001 com uma vitória considerável, consolidando-se como uma voz central na oposição durante dois mandatos. Seu legado é lembrado tanto pela aposta em reformas econômicas quanto pelas controvérsias envolvendo acusações de corrupção e pela dura oposição que manteve com Hasina ao longo dos anos.


Rivalidade histórica com Hasina e momentos marcantes

A relação entre Khaleda Zia e Sheikh Hasina, líder da Liga Awami, moldou a política de Bangladesh por décadas. As divergências entre as duas lideranças resultaram em ciclos de poder alternado, prisões, prisões domiciliares e intensas disputas institucionais que marcaram a vida pública do país. Em meio a esse confronto, episódios de violência política e operações de governança de coalizão destacaram o papel de ambas como símbolos de visões distintas sobre o caminho econômico, social e democrático do Bangladesh.

Cenário político atual e perspectivas para as eleições

Desde 2024, Bangladesh tem sido governada por um governo de transição chefiado por Muhammad Yunus, laureado com o Nobel da Paz, em meio a uma atmosfera de incerteza institucional. O filho de Khaleda, Tarique Rahman, retornou ao país após quase 17 anos de exílio e já é visto como um nome com potencial para liderar o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) nas próximas eleições. O BNP aparece como força favorita para as eleições parlamentares previstas para fevereiro, o que pode ampliar o peso da oposição no curto prazo e redesenhar o tabuleiro político do país. A morte de Khaleda Zia, portanto, encerra uma era pessoal na política bangladeshiana, ao mesmo tempo em que deixa em aberto o futuro da oposição e a condução de uma democracia marcada por décadas de rivalidade entre as duas maiores lideranças do país.