Início Mundo Por que Trump e Zelensky dizem haver progresso em acordo de paz...

Por que Trump e Zelensky dizem haver progresso em acordo de paz na Ucrânia, mas pontos de impasse persistem entre Donbas e a usina de Zaporizhzhia

Uma coletiva de imprensa realizada em Mar-a-Lago, nos EUA, trouxe um tom de otimismo misturado a cautela sobre o caminho rumo a um acordo de paz na Ucrânia. Donald Trump e Volodymyr Zelensky falaram de avanços, porém evitaram fixar prazos ou apresentar soluções definitivas para questões centrais. Os dois líderes sinalizaram que as equipes deverão se reunir novamente nas próximas semanas e mencionaram a possibilidade de um novo encontro em Washington com a participação de líderes europeus, caso haja progressos suficientes. Mesmo assim, ficou evidente que disputas sobre território no leste e o papel da usina nuclear de Zaporizhzhia continuam como entraves importantes.


Pontos-chave do impasse: Donbas e a usina de Zaporizhzhia

Ao tratar da região de Donbas, a rodada de negociações destacou a divergência entre as partes. Informações públicas indicam que a Rússia pressiona pela cessão de parte do território, citando cerca de 25% da província de Donetsk como condição para avanços. Por outro lado, os EUA defendem um caminho que, na prática, poderia transformar a área em uma zona econômica desmilitarizada, desde que a retirada russa seja acompanhada de um referendo ou de uma votação no parlamento. A posição da Ucrânia, respaldada pela sua constituição, sustenta que Donbas pertence à Ucrânia, o que complica qualquer concessão territorial sem um acordo político amplo.


Sobre a usina nuclear de Zaporizhzhia, localizada perto da fronteira com a região ocupada, a conversa abordou um cenário em que a gestão da instalação seria compartilhada entre EUA, Rússia e Ucrânia. Zelensky tem sido crítico de qualquer envolvimento comercial russo no projeto, enquanto Trump descreveu o tema como uma questão discutida de forma ampla durante a reunião, sem chegar a uma solução que obrigue a Rússia a se ausentar da região.

Garantias de segurança e o ritmo das negociações

Um dos focos centrais foi o que viria a garanti-las para a Ucrânia no pós-conflito. Zelensky afirmou que as garantias de segurança foram acordadas em termos «100%» e descreveu esse aspecto como fundamental para assegurar uma paz duradoura. Em contrapartida, Trump afirmou estar próximo de um estágio em que os acordos estariam 95% concluídos, sinalizando otimismo sobre o desfecho, embora reconhecesse que alguns pontos, especialmente relacionados ao território, ainda carecem de consenso claro.

Em relação ao plano de paz, Zelensky mencionou um conjunto de 20 pontos com um nível de coordenação considerado «90%» atingido pelos dois lados. A liderança ucraniana também reforçou que as garantias de segurança não são apenas uma peça de retórica, mas uma salvaguarda prática para evitar retrocessos após um eventual acordo. A divergência sobre o terreno leste e a condição da usina nuclear continuam a exigir negociações mais profundas entre as partes.

Rumo a Washington e o papel de terceiros

Os relatos do encontro destacam a possibilidade de uma nova reunião em Washington, com a presença de líderes europeus, para tentar consolidar os pontos acordados e avançar para um acordo definitivo. Trump sugeriu que Putin também tem interesse em ver a Ucrânia prosperar, abrindo a porta para uma visão de cooperação que inclua a reconstrução do país. Zelensky, por sua vez, parece manter um tom firme na defesa dos interesses ucranianos, ao mesmo tempo reconhecendo a necessidade de manter canais abertos com Estados Unidos e aliados europeus.

O tema da participação de terceiros na gestão de aspectos sensíveis, como a reconstrução e a operação da usina de Zaporizhzhia, permanece central para a dinâmica das negociações. A discussão também se insere em um quadro mais amplo de equilíbrio entre garantias de segurança, soberania nacional e viabilidade econômica da paz, com possíveis desdobramentos para a geopolítica regional.

Impactos e próximos passos

Especialistas destacam que, apesar do tom otimista, a ausência de prazos firmes e as ambivalências sobre o território deixam o caminho para um acordo aberto a novas negociações. A próxima fase dependerá da capacidade das equipes de traduzir as declarações políticas em medidas verificáveis, incluindo mecanismos de verificação, salvaguardas de segurança e uma estratégia conjunta para a gestão da infraestrutura crítica. No curto prazo, a agenda de reuniões entre as partes, possivelmente com participação de europeus, será o principal indicador de evolução rumo a um cessar-fogo duradouro e a um acordo de paz estável para a Ucrânia.